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Mais um ‘dedo de prosa’ sobre a Zuffa Boxing e o futuro do MMA

Dana White feliz da vida ao lado de Conor McGregor durante uma coletiva de imprensa para a divulgação da luta May - Mac   ( Foto : Cortesia Getty Images  -  Getty ). Dana White feliz da vida ao lado de Conor McGregor durante uma coletiva de imprensa para a divulgação da luta May - Mac ( Foto : Cortesia Getty Images - Getty ).

Os irmãos Frank e Lorenzo Fertitta venderam a franquia do UFC em 2016 e concretizaram um dos maiores negócios da história do esporte.

Quinze anos depois de comprarem o UFC por ‘míseros’ US$ 2 milhões, os irmãos acertaram a venda da organização por US$ 4 bilhões. Ou seja, venderam o show por um valor 2000 vezes maior do que o que pagaram por ele em 2001.

Para o observador mais casual, o UFC continua sendo o maior campeonato de MMA do mundo, agora é “mainstream” e o dinheiro continua rolando em quantidades cada vez maiores.

Contudo, para os especialistas no assunto, o negócio ( UFC ) está longe do que qualquer um dos compradores externos avaliaram. Este teria sido o motivo da venda do evento.

Na minha modesta opinião, foi todo um conjunto de situações que forçaram os irmãos Fertitta a venderem o UFC. Eles podiam ver os atletas querendo mais dinheiro, a USADA tentando acabar com a carreira de algumas estrelas ( Jon Jones, Anderson Silva, Júnior dos Santos e Vitor Belfort, entre outros ) , muitos campeões de venda de Pay-Per-View envelhecendo  e jovens lutadores sem um futuro promissor , em qualquer divisão, e até mesmo a provável aprovação do Ali Act, entre outros motivos.

Eu sei que a informação à cerca da USADA é muito ousada, mas a posição deles é necessária para o surgimento de uma nova geração de lutadores que não façam uso de drogas e do corte extremo de peso.
Isso pode levar alguns anos, mas acho que os melhores dias do esporte ainda estão por vir.

Também não é o caso de se fazer uma comparação com os antigos dias do Pro Wrestling  territorial, quando o dono original comprova de volta a antiga promoção de forma barata.
Esqueçam essa possibilidade. Fank e Lorenzo não vão readquirir o Ultimate.

Os irmãos Fertitta venderam o percentual remanescente que detinham do UFC e deram adeus às últimas ações da franquia.

Mas, claro, a Flash Entertainment - empresa estatal de Abu Dhabi ( Emirados Árabes ) -, também acionista do UFC, ainda permanece com 10% da empresa.
Atualmente os irmãos Fertitta mantêm a Fertitta Capital, uma empresa de investimento focada em tecnologia, mídia e entretenimento.
Também não custa lembrar que eles continuam sendo os donos de uma das maiores redes de hotéis e cassinos de Las Vegas, no estado de Nevada, USA.

Como moradores da “capital mundial das lutas” eles entendem desse ‘negócio’ ( de lutas ) porque entendem a cultura da cidade e sempre souberam que os esportes de combate tendem à ser cíclicos e que estes não possuem fãs embutidos da “cidade natal" ao longo da estrada, então eles venderam o seu produto - o qual já houvera tido um bom  “ investimento” - no momento certo, pois viram o possível declínio do império.
Não podemos nos esquecer que esses caras são homens de negócios.

O conglomerado WME-IMG Endeavor , atuais donos do UFC, parecem não entender muito bem o negócio e eu suspeito que Dana White ( mantido na companhia por força contratual ) possa sair após esse tempo para se dedicar integralmente ao seu novo empreendimento, que atende pelo nome de Zuffa Boxing, mesmo  depois dos acionistas afirmarem que o MMA continua sendo o grande negócio do segmento de lutas e que as coisas continuam  ótimas.

Dana quer investir pesado no mercado do boxe com a Zuffa Boxing.
Uma prova disso é a sua recente declaração dando conta que eles não pretendem fazer  parte das federações que regem a ‘nobre arte’ pelo mundo, mas sim criar uma liga própria.
“Não trabalharemos com as organizações WBA, WBC, IBF, IBO e WBO”, declarou o cartola.

A Zuffa Boxing poderia muito bem ter ter seus próprios campeões e rankings, tal como acontece com o UFC.
Porém, não está muito claro como isso poderia ser feito, principalmente por conta do Ali Act ( lei de proteção de lutadores que já é válida para as federações de boxe ).

Segundo o próprio Dana : “O interesse está definitivamente lá - todos os lutadores entraram em contato, outros promotores entraram em contato conosco e todos estão interessados. A questão é como faço com que a expansão disso seja maximizada agora mesmo com os negócios do UFC.”

O cartola também procurou acalmar os fãs de MMA : “Eu não vou sair do UFC. Estou entrando no boxe com Ari ( Emanuel ) e o UFC também fará boxe” , declarou White em entrevista  ao Los Angeles Times.
Emanuel é o CEO da Endeavor ( ex-WME-IMG ), a empresa controladora do UFC.

Embora possa levar algum tempo para White e o UFC se atualizarem no mundo do boxe, ele também disse durante a entrevista que a sua empreitada no boxe poderia ter inicio ainda em 2018.

“Se você olhar para tudo o que fizemos pelo MMA nos últimos 15 anos, verá que não temos medo de experimentar coisas novas. Foi mais difícil do que dizer que estamos entrando no boxe. Eu sinto que posso fazer melhor do que todo mundo. Eu amo o boxe”, disse White.

Problemas e dúvidas à parte, essa parece ser a ocasião ideal para a retomada da popularidade do boxe, à semelhança das últimas décadas do século passado.

Há quanto tempo o boxe está esperando outro Ali ou Tyson? Esse parece ser o momento oportuno para a chegada de uma nova estrela da modalidade e Dana White, inteligentemente, já percebeu isso.

*Texto do Colaborador Oriosvaldo Costa

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Foto acima : Dana White feliz da vida ao lado de Conor McGregor durante uma coletiva de imprensa para a divulgação da luta May - Mac   ( Foto : Cortesia Getty Images  -  Getty ).

Abaixo : O dirigente garante que irá continuar trabalhando com o UFC, mas demonstra que seus interesses podem estar  se voltando para o boxe ao criar a Zuffa Boxing ( Foto : Cortesia Josh Hedges / Zuffa LLC / Zuffa LLC via Getty Images ).

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