Brasil é o país com maior número de mortes entre profissionais de enfermagem no mundo

O Brasil é o país que mais tem perdido profissionais da enfermagem para a Covid-19. Segundo dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), já são 137 as mortes de técnicos, auxiliares e enfermeiros decorrentes da pandemia do novo coronavírus.

Nos EUA, onde há o maior número de casos do mundo, 91 profissionais de enfermagem morreram até o início deste mês. Itália e Espanha juntas registraram 89 mortes.

O número de óbitos no Brasil representa 34% do total mundial, contabilizado em 360 pelo Conselho Internacional de Enfermagem. “O índice muito maior de mortalidade mostra o despreparo do país para enfrentar a pandemia”, afirma Manoel Neri, presidente do Cofen.

A região sudeste lidera as mortes nas equipes de enfermagem, com 47% do total. O Rio de Janeiro está no topo, seguido por São Paulo, Pernambuco e Amazonas.

A maioria dos que perderam a vida tinha entre 41 e 60 anos. Os mais jovens lideram o número de casos suspeitos. Já foram afastados do trabalho mais de 6.000 profissionais com idades entre 31 e 40 anos e quase 3.000 entre os que estão na faixa entre 20 e 30 anos.

Segundo dados do Cofen, mais de 15 mil profissionais de enfermagem precisaram se afastar por suspeita de Covid-19. Destes, 4.717 testaram positivo para o novo coronavírus. O estado de São Paulo lidera a incidência, seguido por Rio, Bahia e Pernambuco.

“Tem sido alarmante o número de casos entre os profissionais de enfermagem. É um problema que precisa ser mais bem enfrentado pelo poder público, porque isso leva à desassistência da população”, diz Neri.

São várias as razões para o aumento de casos e de mortes entre as equipes de enfermagem. Segundo Neri, há falta de treinamento para lidar com a Covid-19, escassez e baixa qualidade de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), exposição de grupos de risco e sobrecarga de trabalho, que causa cansaço físico e mental, aumentando o risco de contágio.

Os conselhos regionais de enfermagem receberam, desde o início da pandemia, mais de 6.200 denúncias, a maioria relacionadas a problemas com EPIs. “Existe um esforço de governos e empresas para a aquisição de EPIs, mas ainda há escassez”, afirma Neri. “A mesma máscara tem sido usada em plantões de 12 horas, mas elas deveriam ser trocadas a cada 2 horas ou, no máximo, 6 horas, porque a eficácia diminui. Além disso, muitos aventais não são impermeáveis”, diz Neri.

Fonte: Folha de S. Paulo

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