简体中文 - English - 日本語 - 한국어 - Português - Español

Goldman Sachs reduz previsão de crescimento do PIB do Brasil 2020 para -7,4%

Economistas do Goldman Sachs reduziram suas perspectivas econômicas na América Latina devido ao surto de coronavírus e agora esperam que o produto interno bruto do Brasil encolha 7,4% este ano e o México 8,5%.

Isso se compara às previsões anteriores de contrações de 3,4% e 5,6%, respectivamente, e causará uma queda de 7,6% nas sete principais economias da América Latina, disseram em nota divulgada na terça-feira.

Entre os motivos para o maior pessimismo, estão os últimos dados da atividade (com destaque para a forte queda da produção industrial em março), as expectativas de que a economia ficará fechada por mais tempo, o adiamento da agenda de reformas estruturantes – uma vez que o Congresso agora vai se concentrar em medidas econômicas para combater os efeitos da doença -, além do forte endividamento do Brasil, que deve ser um dos principais desafios nacionais no médio prazo.

“A covid-19 deve continuar a se espalhar pelo Brasil, o que deve aprofundar a recessão econômica, a despeito dos estímulos sem precedentes”, destacou o JPMorgan em relatório. O banco revisou na última semana as suas projeções para o PIB de 2020, passando de queda de 3,2% para baixa de 7%, mesma projeção do BNP Paribas (que tinha expectativa anterior de baixa de 4%). Porém, há quem esteja ainda mais pessimista, caso do Bank of America, que passou a prever uma queda de 7,7% do PIB no ano, enquanto o Goldman Sachs revisou as suas estimativas de queda de 3,4% para de 7,4%.

O banco suíço UBS, por sua vez, projetou no final de abril três cenários, sendo que em um deles (o mais pessimista), o PIB poderia cair 10,1%. Em relatório, os economistas Tony Volpon e Fabio Ramos destacaram que a imposição de medidas de distanciamento social geraram um choque extremo de oferta, no qual muitas empresas “não essenciais” acabaram interrompendo (ou reduzindo drasticamente) sua produção, gerando um corte repentino nas receitas, em muitos casos a zero. “Isso gerou uma cadeia de cortes repentinos na renda dos trabalhadores e pagamentos a fornecedores e credores.” Contudo, maior probabilidade, por enquanto, seria de queda entre 5,5% e 7,2% neste ano.

Outras casas que passaram a prever uma queda da atividade econômica nacional de ao menos 6% foram: a XP Investimentos (que revisou de queda de 1,9% para baixa de 6%), Deutsche Bank (baixa de 6,2%), Credit Suisse (queda de 6,5%) e Santander (que revisaram de projeção de baixa de 2,2% para queda de 6,4%). Relativamente menos pessimista, o Itaú revisou recentemente sua projeção para o PIB de baixa de 2,5% para queda de 4,5%.

“Com os dados de atividade econômica piores do que o esperado em março e abril, ficou mais claro que o choque negativo na atividade ao longo do primeiro semestre será considerável”, destaca a XP Investimentos. A XP ainda ressalta que as medidas fiscais anunciadas pelo governo, apesar de apontarem na direção correta, mostraram-se mais limitadas em alcance e tempestividade.

Queda em 2020, alta em 2021

Já para o ano que vem, as casas de análise apontam expectativa de recuperação, mas ainda modesta em meio ao tombo que será registrado em 2020. O JPMorgan projeta o PIB brasileiro crescendo 4,4%, ante expectativa anterior de alta de 2,4%. Porém, vale destacar, o aumento da projeção ocorre por conta de uma base de comparação mais enfraquecida e, ao fim de 2021, a atividade econômica continuará 3% abaixo de 2019.

Além disso, apontam os economistas do JP, embora a pandemia seja algo temporário, os efeitos não ceifarão tão rapidamente, fazendo menção à recessão de 2015-2016, em que houve perdas permanentes na produção, o que não deve mudar na recessão desse ano. “Em particular tememos que o apoio a políticas favoráveis ao mercado tomadas até agora tenha queda após a crise, que também aumentará o endividamento de pessoas físicas, jurídicas e do setor público, impactando a recuperação”.

Para 2021, o BNP prevê uma recuperação da atividade de 4%, enquanto a XP mantém a previsão de recuperação a 2,5%, apesar de reforçar que a velocidade da retomada dependerá do sucesso no combate ao coronavírus e da efetividade de políticas públicas adotadas no curto prazo.

O Santander, por sua vez, passou a ver uma alta de 4,4% para o PIB, ainda indicando alta maior acumulada no biênio, além de uma ociosidade de fatores mais prolongada.

Com a atividade em um ritmo de desaceleração maior, a expectativa do Santander é de que a taxa de desemprego suba a 14,9% (ante 11,9% em 2019), recuperando-se gradualmente a 13,1% em 2021 e 11,8% em 2022. A desaceleração também deve levar a uma inflação menor, com uma projeção de alta de 1,4% (ante 2,2%) para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano, enquanto a previsão para 2021 passou de 3,1% para 2,9%.

Fonte: Reuters/InfoMoney // Créditos da imagem: Finantial Times

0 0 vote
Article Rating
Subscribe
Notify of
guest

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments