No Brasil, Número de infectados por coronavírus sobe acentuadamente

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, desrespeitou as diretrizes de distanciamento social no domingo, quando seu país enfrenta um dos piores surtos de coronavírus do mundo, com o número de mortos aumentando acentuadamente no fim de semana.

Usando uma máscara, Bolsonaro posou para fotos com apoiadores e fez uma série de flexões com paraquedistas – alguns dos quais esticaram os braços direitos e juraram lealdade ao presidente e sua família.

“Esta é uma pura manifestação da democracia. Estou realmente honrado com isso”, disse ele sobre a multidão de apoiadores que desafiaram as ordens de ficar em casa para participar da manifestação.

Bolsonaro subestimou repetidamente a gravidade do vírus e pressionou para reabrir negócios.

Neste fim de semana, o número de casos confirmados no Brasil ultrapassou a Espanha e a Itália – tornando o país o quarto maior surto do mundo. Com o Brasil testando muito menos do que outros países, especialistas alertam que o número real de casos é provavelmente muito maior do que a contagem oficial de mais de 241.000 infecções registradas no fim de semana.

As autoridades registraram no domingo à noite 7.938 novos casos em 24 horas, segundo dados do Ministério da Saúde do Brasil. Eles também relataram 483 novas mortes, elevando o total para 16.118.

Manaus, a cidade brasileira mais atingida, teve que recorrer a valas comuns para acomodar o dramático aumento dos enterros.

Especialistas alertaram que, devido à subestimação, os números reais podem ser 15 vezes maiores, alertando que o pior ainda está por vir. A agência de notícias AFP informou que quase metade de todos os casos de infecção na América Latina e no Caribe estão no Brasil.

“Gripezinha”

Apesar dos números crescentes de casos e mortes, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro subestimou repetidamente a gravidade do surto, descartando o vírus como uma “pequena gripe”.

Ele também continuou a atacar as medidas de bloqueio implementadas por alguns governadores para conter a disseminação do vírus, e pedindo que as empresas reabram.

“Desemprego, fome e miséria serão o futuro daqueles que apóiam a tirania do isolamento total”, twittou o presidente de extrema direita no sábado.

Suas declarações vieram um dia depois que o ministro da Saúde, Nelson Teich, renunciou ao cargo depois de menos de um mês no cargo.

Apenas os Estados Unidos, a Rússia e o Reino Unido registraram mais casos que o Brasil, mas o país sul-americano realizou apenas uma fração dos testes do que os outros três países.

Fonte: Reuters/AFP/DW // Créditos da imagem: Semcom/Prefeitura de Manaus/A. Pazuello

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