Brasil reduz previsão de PIB de 2020 para -4,7%, a maior queda desde 1900

O governo do Brasil reduziu sua perspectiva econômica para 2020 na quarta-feira, prevendo uma contração bruta do produto interno de 4,7%, o que indicaria o maior colapso econômico do país em mais de um século.

A nova previsão, baseada no dano econômico esperado devido à pandemia de coronavírus e medidas de quarentena relacionadas, é muito mais baixa que a estimativa anterior de crescimento zero e está mais alinhada com outras previsões do setor público e privado.

Segundo o secretário de política econômica Adolfo Sachsida, -4,7% seria a maior queda anual desde que os registros começaram em 1900.

“A interrupção na produção e no consumo terá um impacto profundo no crescimento do PIB em 2020”, afirmou o Ministério da Economia em uma apresentação. “Uma parte substancial do PIB perdida durante o isolamento não será recuperada, levando a uma queda substancial do PIB em 2020”.

A economia só retornará aos níveis pré-crise de dezembro do ano passado até 2022, segundo o ministério, uma recuperação mais lenta do que a sugerida pelo ministro da Economia Paulo Guedes.

A perspectiva revisada do governo para 2020 é um pouco mais sombria do que o atual consenso da pesquisa semanal “FOCUS” do banco central com economistas, que aponta para uma contração do PIB neste ano de 4,1%.

Mas vários bancos de investimento reduziram suas perspectivas para 2020 nos últimos dias, com o BofA Securities divulgando na quarta-feira uma das projeções mais sombrias de todas, revisando seu aporte de PIB de -3,5% para -7,7%.

O Ministério da Economia estabeleceu uma série de cenários de quão grave o impacto do coronavírus na atividade poderia ser este ano, dependendo de quanto tempo a crise de saúde persiste.

O melhor cenário foi de um crescimento de 0,9% a uma queda de 2,0% no PIB de 2020, seguido de uma forte recuperação no próximo ano, supondo que a crise da saúde seja limitada ao segundo trimestre.

O pior foi um declínio do PIB de 5% ou mais se a crise se estender até o segundo semestre deste ano, seguida por uma fraca recuperação em 2021.

O secretário especial do ministério Waldery Rodrigues disse que o governo atualizará suas previsões de dívida e déficit para 2020 na sexta-feira. O déficit primário, sem incluir os pagamentos de juros, deve ser superior a 7% do PIB, possivelmente 8%, disse ele.

O Ministério da Economia também reduziu sua perspectiva de inflação para 2020 de 1,8% para 1,8%, ficando significativamente abaixo da meta oficial do banco central de 4,00%.

O ministério reduziu a previsão de crescimento do PIB do próximo ano para 3,2%, de 3,3%, mas elevou sua previsão de 2022 para 2,6%, de 2,4%.

Fonte: Reuters

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