China refuta 24 ‘mentiras’ de políticos dos EUA sobre coronavírus

A China emitiu uma refutação prolongada do que disse serem 24 “alegações absurdas” de alguns dos principais políticos dos EUA sobre o tratamento do novo surto de coronavírus.

O Ministério das Relações Exteriores chinês dedicou a maior parte de suas entrevistas à imprensa na semana passada a rejeitar acusações de políticos dos EUA, especialmente do Secretário de Estado Mike Pompeo, de que a China havia ocultado informações sobre o novo coronavírus e que havia se originado em um laboratório na cidade de Wuhan.

Um artigo de 30 páginas e 11.000 palavras publicado no site do ministério na noite de sábado repetiu e expandiu as refutações feitas durante as entrevistas à imprensa e começou invocando Abraham Lincoln, presidente dos EUA do século XIX.

“Como Lincoln disse, você pode enganar algumas pessoas o tempo todo e enganar todas as pessoas o tempo todo, mas não pode enganar todas as pessoas o tempo todo”, dizia o prólogo.

O artigo também citou relatos da mídia de que os americanos haviam sido infectados com o vírus antes que o primeiro caso fosse confirmado em Wuhan. Não há evidências que sugiram que seja esse o caso.

Desejoso de anular as sugestões dos EUA de que o vírus foi deliberadamente criado ou vazou de alguma forma pelo Instituto de Virologia Wuhan, o artigo dizia que todas as evidências mostram que o vírus não é feito pelo homem e que o instituto não é capaz de sintetizar um novo coronavírus.

Ameaças “Oportunas”

O artigo também forneceu uma linha do tempo de como a China havia fornecido informações à comunidade internacional de maneira “oportuna”, “aberta e transparente” para repreender as sugestões dos EUA de que demorou a tocar o alarme.

Apesar das repetidas garantias da China, as preocupações com a pontualidade de suas informações persistem em alguns trimestres.

Um relatório da revista Der Spiegel na sexta-feira passada citou a agência de espionagem do BND da Alemanha dizendo que a tentativa inicial da China de reter informações custou ao mundo quatro a seis semanas que poderiam ter sido usadas para combater o vírus.

O artigo rejeitou as críticas ocidentais ao tratamento por Pequim do caso de Li Wenliang, um médico de 34 anos que havia tentado alertar sobre o surto do novo vírus em Wuhan. Sua morte por COVID-19, a doença respiratória causada pelo vírus, provocou uma onda de raiva e pesar em toda a China.

O artigo do ministério dizia que Li não era um “denunciante” e nunca foi preso, ao contrário de muitos relatórios ocidentais.

No entanto, o artigo não mencionou que Li foi repreendido pela polícia por “espalhar boatos”. Embora Li tenha sido nomeado mais tarde entre os “mártires” lamentados pela China, uma investigação sobre seu caso também atraiu críticas on-line, depois que apenas sugeriu que a repreensão contra ele fosse retirada.

Rejeitando as sugestões do presidente dos EUA, Donald Trump e Pompeo, de que o novo coronavírus deve ser chamado de “vírus chinês” ou “vírus Wuhan”, o artigo citou documentos da Organização Mundial da Saúde para dizer que o nome de um vírus não deve ser específico de um país.

Fonte: Reuters // Créditos da imagem: REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

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