Produção de automóveis cai em 99% no México e Brasil devido ao coronavírus

Produção de automóveis no México e no Brasil, os principais produtores da América Latina, caíram 99% em abril como resultado da crise do coronavírus, com os dois países construindo um total de apenas 5.569 unidades.

Em tempos normais, o México e o Brasil produzem mais de meio milhão de carros por mês juntos. O setor representa dezenas de empregos e vários pontos percentuais do PIB de seus respectivos países.

“A situação é difícil e dramática”, disse Luiz Carlos Moraes, presidente da associação brasileira de montadoras, a repórteres.

As declarações de produção, feitas na sexta-feira pela associação de estatísticas Inegi do México e pela associação brasileira de montadoras Anfavea, são a primeira janela disponível para a extensão da crise das montadoras na América Latina.

A crise está colocando empregos em risco e levantando questões sobre a sustentabilidade das cadeias de suprimentos internacionais do setor, muitas das quais remontam à China. Os maus resultados também podem ser usados ​​pelos executivos de automóveis para obter ajuda do governo.

México e Brasil são bases fundamentais para montadoras globais, incluindo General Motors, Ford Motor, Volkswagen e Fiat Chrysler.

As remessas do México, que são mais dependentes das exportações para os Estados Unidos, caíram 90% em comparação com março, para apenas 27.889 unidades, disse Inegi, do México.

O Brasil está mais focado em seu mercado interno, mas é um exportador significativo para a Argentina. As exportações caíram 77%, disse a Anfavea, para 7.200 unidades.

No geral, as vendas caíram dois terços no Brasil para 55.700 unidades. O México não divulgou números de vendas.

No Brasil, a pandemia de coronavírus está se aprofundando em uma crise de anos que a indústria já estava lutando para se recuperar.

O Brasil tem capacidade para produzir mais de 400.000 carros por mês, devido a apostas caras feitas pouco antes de o país sofrer a pior crise econômica já registrada em 2016.

A crise do coronavírus pode muito bem exceder os danos causados ​​na época, dos quais a indústria automobilística nunca se recuperou totalmente.

Montadoras em apuros

As montadoras no Brasil estão negociando um pacote de ajuda governamental que inicialmente deveria ter sido resolvido até agora.

Uma questão pendente é o que será usado como garantia para qualquer empréstimo.

Moraes disse a repórteres que as montadoras estão propondo usar como garantia cerca de 25 bilhões de reais (US $ 4,34 bilhões) em créditos tributários que as montadoras não foram capazes de tirar proveito.

Os empréstimos seriam emitidos por bancos privados, disse Moraes, mas garantidos pelo banco estatal brasileiro BNDES, que seria garantido por esses créditos tributários.

“O governo federal teria como garantia uma quantia do governo federal”, disse Moraes, observando que essa estrutura nunca foi usada.

A proposta foi apresentada na quarta-feira, disse ele, e as montadoras ainda estão aguardando uma resposta do governo.

Fonte: Reuters // Créditos da imagem: REUTERS/Washington Alves

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