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UE defende censura de artigo em jornal chinês

Autoridades da UE apoiaram a decisão de aceitar a censura da China a uma carta publicada em um jornal chinês. Uma sentença referenciando a China como a origem do surto de coronavírus foi removida antes da publicação.

A União Europeia defendeu na quinta-feira sua decisão de consentir na censura chinesa a uma carta co-escrita pelos 27 embaixadores do bloco, antes de sua publicação na mídia chinesa.

O artigo foi publicado no jornal chinês Daily China na terça-feira, mas uma sentença que ligava a fonte inicial do surto de coronavírus à China foi removida.

A UE levantou “preocupações muito sérias” sobre o pedido de censura do artigo. Mas concordou com a publicação, pois significava que o bloco poderia se comunicar com o público chinês sobre outras questões importantes da UE, como mudança climática, direitos humanos e resposta a uma pandemia, disse a porta-voz dos negócios estrangeiros da UE, Virginie Battu-Henriksson, em Bruxelas.

“A China tem mídia controlada pelo Estado. Há censura, isso é fato”, disse Battu-Henriksson. A UE, no entanto, lamentou que o artigo não tivesse sido publicado na íntegra, acrescentou.

Censura marca aniversário das relações UE-China

Os embaixadores da UE apresentaram o parecer para marcar o 45º aniversário das relações diplomáticas entre a UE e a China. A versão completa apareceu nos sites das embaixadas da UE na China.

Uma comparação entre esses e os artigos publicados no China Daily mostrou que, no início da frase: “Mas o surto do coronavírus”, as seguintes palavras – “na China, e sua subsequente disseminação para o resto do mundo no passado três meses”- foram removidos na versão em jornal chinês.

O Serviço de Ação Externa da UE confirmou que foram feitas mudanças, após reportagens da mídia na quarta-feira.

“Chocado” com a medida

O político conservador alemão Norbert Roettgen disse estar “chocado” com o fato de a UE ter permitido que a censura prosseguisse.

“Falar a uma só voz é importante, mas deve refletir nossos valores e interesses europeus compartilhados”, twittou na quinta-feira.

Mas o porta-voz chefe da Comissão Europeia, Eric Mamer, discordou. Ele disse que a decisão de prosseguir com a publicação do artigo “não significa que consideramos aceitável a censura”.

A China foi criticada pela UE e pelos EUA por falta de transparência sobre a pandemia de coronavírus originada no país. No entanto, a UE foi recentemente forçada a negar relatos de que cedeu à pressão chinesa e atenuou um relatório sobre desinformação do coronavírus.

Fonte: AFP/DW // Créditos da imagem: DPA/M. Reynolds

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