OMS sugere cautela durante reabertura de países em quarentena

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou na quarta-feira que os países que os países que levantarem suas restrições devem proceder “com muito cuidado” ou podem correr o risco de um rápido aumento em novos casos.

O diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus disse que os países precisam garantir medidas adequadas para controlar a propagação da doença respiratória COVID-19, como sistemas de rastreamento e fornecimento de quarentena.

“O risco de retornar ao bloqueio permanece muito real se os países não gerenciarem a transição com muito cuidado e com uma abordagem faseada”, disse ele em um briefing virtual em Genebra.

A epidemiologista da OMS Maria Van Kerkhove apoiou suas preocupações com a doença que infectou 3,71 milhões em todo o mundo e matou mais de 258.000 pessoas, segundo um relatório da Reuters.

“Se as medidas de bloqueio forem levantadas muito rapidamente, o vírus poderá decolar”, disse Van Kerkhove no briefing.

Os bloqueios ordenados pelo governo tornaram-se cada vez mais impopulares, à medida que os países sofrem um aumento do desemprego e a atividade econômica pára.

A economia da zona do euro contrairá um recorde de 7,7% este ano por causa da pandemia, enquanto empregadores privados dos EUA demitiram 20,2 milhões de trabalhadores no mês passado, quando os negócios fecharam suas portas.

Alguns países, como Alemanha, Espanha e Itália começaram a relaxar as restrições, enquanto o presidente dos EUA, Trump, disse que seu foco está em abrir o país novamente.

As autoridades do futebol também começaram a considerar como podem salvar competições interrompidas, com a Bundesliga da Alemanha recebendo permissão para reiniciar no final deste mês.

Desentendimentos

O funcionário da OMS, Mike Ryan, disse que cabe aos governos e federações esportivas decidir como e quando recomeçar, acrescentando que a organização da ONU ofereceria conselhos de gerenciamento de riscos, se necessário.

Tedros, que foi criticado principalmente pelo governo Trump por lidar com o surto, disse que conduziria uma avaliação das ações da OMS quando a pandemia retroceder.

“Enquanto o fogo está aceso, acho que nosso foco não deve ser dividido”, disse ele.

O Tedros também defendeu o recorde da OMS em alertar sobre o potencial de transmissão humano-a-humano do novo coronavírus, dizendo que informou o mundo na primeira quinzena de janeiro.

O órgão com sede em Genebra foi acusado de ser “centrado na China” pelo principal doador dos Estados Unidos, que cortou o financiamento ao órgão.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, renovou suas críticas à China na quarta-feira, culpando o país pelas mortes causadas pelo surto e exigindo que Pequim compartilhe informações sobre o surto.

A OMS, que está preparando outra missão na China para descobrir a origem animal do vírus, tratou o país de maneira diferente de qualquer um de seus 194 membros, disse Tedros.

“A regra que temos na OMS e em outras agências da ONU é que, quando um estado membro informa, publicamos como está”, disse Tedros.

“O mais importante é a nossa orientação antes, durante e depois de 14 de janeiro, incluindo a probabilidade de transmissão de humano para humano que ajudou os países a se prepararem”, acrescentou. “Esta é a verdade”.

Fonte: Reuters // Créditos da imagem: REUTERS/Denis Balibouse

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