Brasil: Número de mortes por Covid-19 aumenta e governo anuncia que o ‘pior já passou’

O Brasil registrou o maior aumento diário de seu número de mortes por coronavírus, apesar das sugestões errôneas do presidente Jair Bolsonaro de que o pior da crise já havia passado.

O Brasil – que agora é considerado o principal centro global da pandemia – registrou 633 mortes por Covid-19 na terça-feira, elevando o total para quase 8.000.

Três dos 27 estados brasileiros anunciaram esta semana as primeiras medidas oficiais de bloqueio do país para tentar retardar a propagação da doença.

Mas falando a repórteres do lado de fora de seu palácio presidencial na tarde de terça-feira, Bolsonaro sugeriu que seu país estava passando do pico de Covid-19.

“Ainda não sei se o número de mortes é menor que ontem. Mas se for, se não me engano, será o sexto dia consecutivo em que o número de mortes caiu”, disse Bolsonaro.

“Isso é um sinal de que o pior já passou e peço a Deus que isso seja verdade”, acrescentou Bolsonaro.

Isso não era verdade. Poucas horas depois, o Ministério da Saúde do Brasil anunciou que o número de mortes relatadas havia de fato aumentado. Subnotificação e falta de teste também significam que os números verdadeiros são quase certamente muito mais altos.

Um estudo para o site de notícias G1 descobriu que cinco grandes cidades registraram 6.061 mortes a mais do que a média entre a chegada do Covid-19 no Brasil e 25 de abril. Alguns deles provavelmente eram pessoas incapazes de acessar hospitais sobrecarregados que morreram por outras causas.

Nesta semana, três estados começaram a introduzir medidas rígidas de bloqueio.

Na terça-feira, São Luís, capital do estado do nordeste do Maranhão, e três cidades vizinhas ficaram trancadas por 10 dias. A medida foi ordenada por um juiz após o preenchimento de leitos de terapia intensiva em hospitais do governo estadual. O Maranhão registrou 4.530 casos e 271 mortes por Covid-19.

Bloqueios de estradas foram montados, carros particulares foram proibidos e apenas serviços essenciais, como hospitais, farmácias e supermercados, foram autorizados a abrir. As ruas estavam vazias em São Luís, disse Daniel Barros, cujo restaurante só faz entregas.

“Já perdi pessoas próximas a mim que ficaram doentes, que foram entubadas, que morreram. Por isso, prefiro o bloqueio, mesmo que me custe”, disse ele.

Fortaleza, capital do estado vizinho do Ceará – que tem 11.470 casos confirmados e 795 mortes – introduzirá medidas semelhantes a partir de sexta-feira. As máscaras também serão obrigatórias, disse na terça-feira o governador de esquerda do estado, Camilo Santana.

“É a coisa certa a fazer, necessária, apesar de todas as dificuldades que isso causará a todos”, disse Keny Colares, médico e especialista em doenças infecciosas do hospital público São José, em Fortaleza.

Colares disse que a cidade estava se aproximando do colapso dos serviços de saúde na cidade amazônica de Manaus. “Temos sinais muito claros de perigo”, disse Colares.

Com 4.472 casos e 369 mortes, o estado do Pará também anunciou um bloqueio em 10 cidades, incluindo sua capital, Belém.

Helena Brígido, vice-presidente da sociedade estatal de doenças infecciosas, descreveu hospitais que lutam para lidar com a avalanche de casos, enquanto multidões fazem fila em frente aos bancos do governo para receber pagamentos emergenciais.

“As pessoas precisam ter medo do vírus”, disse ela. “As pessoas precisam acordar”.

Fonte: Guardian // Créditos da imagem: Pedro Vilela/Getty Images

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