Banco Central do Brasil reduzirá a taxa Selic para “tentar salvar economia”

O banco central do Brasil cortará sua taxa básica de juros em 50 pontos-base novamente na quarta-feira para ajudar a economia número 1 da América Latina, à medida que mergulha em uma recessão que cresce rapidamente devido a medidas de quarentena, mostrou uma pesquisa da Reuters.

Com a atividade já passando pelo que parece ser a maior queda trimestral já registrada e as empresas quase incapazes de vender seus bens e serviços, a inflação não é mais uma ameaça que impediria mais flexibilização monetária.

O comitê de política do banco central, conhecido como Copom, deve estender o ciclo de corte de taxas que abriu no ano passado para auxiliar uma economia que já estava em crise antes da pandemia de coronavírus, prejudicando os votos do presidente Jair Bolsonaro de crescimento.

“A gravidade da situação ficou mais clara desde a última reunião do Copom”, disse Etore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos em São Paulo. “A condição crítica da economia prevalecerá nas decisões políticas”.

Em um sinal de quão rápidas as condições econômicas estão em declínio, a taxa de desemprego no Brasil subiu para 12,2% nos três meses até março, marcando o maior aumento em três anos, mesmo que o coronavírus não tenha sido o principal fator.

A redução seria a menor registrada, quando a taxa Selic atingir o recorde mínimo de 3,25%, após um corte similar de meio ponto percentual em uma reunião programada em março, segundo 26 economistas consultados em abril.

Prevê-se que o Copom diminua novamente para 3,00% em algum momento deste trimestre, abaixo da taxa de final de ciclo de 3,25% esperada em uma pesquisa anterior da Reuters em abril, e permaneça lá por um ano inteiro antes de começar gradualmente a apertar.

Mas essa abordagem causou um efeito colateral com uma queda de 27% do real desde janeiro, depois que os cortes nas taxas do Copom corroeram a chamada vantagem de “carry trade” da moeda brasileira, diminuindo sua atratividade para os investidores.

Uma depreciação tão grande teria inflado a inflação em outras circunstâncias, como na década de 1980 ou na atual Argentina, vizinha do Brasil. No entanto, a contração relacionada ao coronavírus deixou as empresas brasileiras sem nenhum poder de precificação.

“Apesar da fraqueza do real, as expectativas de inflação continuaram caindo, dando espaço para o banco central do Brasil se acalmar ainda mais”, escreveram analistas do Citi em relatório nesta semana. As vendas em dólar dos EUA também diminuem as pressões de uma moeda em queda, acrescentou.

A inflação provavelmente ficará em média 2,7% no segundo trimestre, a menor em um período de três meses desde 2017, quando uma safra abundante derrubou os preços dos alimentos, de acordo com pesquisas da Reuters. O produto interno bruto (PIB) está caindo 5,7% em abril-junho.

A perspectiva preocupante levou o Congresso a começar a debater um projeto de lei para conceder ao banco central poderes de emergência para realizar “flexibilização quantitativa” ou QE como parte de seu arsenal de combate a crises.

Até agora, Roberto Campos Neto, presidente do banco, descartou a compra generalizada de títulos, dizendo que qualquer ação seria semelhante à sua intervenção cambial em tempos de forte estresse no mercado.

As autoridades querem acalmar os receios de embarcar na impressão definitiva de dinheiro. “Será limitado ao mercado secundário, vemos isso como uma medida positiva”, disse Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos, em São Paulo.

Fonte: Reuters // Créditos da imagem: REUTERS/Adriano Machado

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