Entrevista com o Mestre José Cabral, ‘lenda viva’ da Luta Livre Americana

Mestre José Cabral, é uma verdadeira ‘lenda viva’ da Luta Livre, esporte que depois veio à se tornar o Vale Tudo, hoje MMA. ( Créditos | Cortesia : Acervo pessoal José Cabral | Divulgação ).

Encontramos em Alagoas, ( estado da região Nordeste do Brasil ), uma ‘lenda viva’ da Luta Livre Americana, esporte que depois veio à ser chamado de Vale Tudo, atualmente o MMA. Trata-se do famoso Mestre José Cabral, natural de Guebrangulo, cidade a 120 Km da capital Maceió. Mestre José Cabral chegou a fazer mais de 120 lutas. Ele participou das preliminares da grande luta entre Carlson Gracie x Euclides Pereira realizada na Bahia. O guerreiro das antigas, atualmente está aposentado como professor de educação física do Estado de Alagoas, e exerce a função de professor de defesa pessoal no curso de formação de soldados da PM-AL.


Confira abaixo a entrevista com o Mestre José Cabral ( “Cangaceiro” ) :


1.Como foi seu primeiro contato com a luta?
R: Tinha na faixa de treze anos de idade, notei que tinha uma academia perto da minha casa e fui olhar o treino e depois esqueci, anos mais tarde apareceu um japonês em Maceió, que era faixa preta da Kodokan, chamado Satore Shimosaki, onde comecei a ter aulas.

2. Quem foram seus professores dessa época?
R: Fui aluno na adolescência do Satori, que lecionava Judô, depois treinei Boxe e Luta Livre com Mestre Dorgival Rodrigues ( Chagas ) e Irmãos Rodrigues, Professor Luiz Soares. Já no Recife treinei Judô com Diogenes Morais , Mestre Kawamura e Nagai , na Luta Livre treinava com Euclides e José Maria Freire, ajudei como ‘sparring’ no treinamento do José Gomes, depois me aperfeiçoei no Judô com os Mestre Miura e Shiozawa.

3. Como foi sua estreia na Luta Livre?

R: Teve um dia que faltou um atleta no evento daqui de Maceió e me convidaram para substituir, sai vencedor dessa estreia, continuei lutando e já tinha um cartel de 13 lutas, foi quando apareceu o Diógenes Morais em Maceió para organizar uma luta do Euclides Pereira ( Diabo Loiro ) x Cicero Oliveira, conhecido como “Dragão”. O Mestre Diógenes Morais viu meu desempenho e me chamou para lutar e morar em Recife, participei do TV Ringues Torres nos anos 60 chegando a fazer 10 lutas em Pernambuco, continuei meu treinamento no Judô com Diógenes Morais e Luta Livre com José Maria Freire, sendo ‘sparring’ do Euclides, onde virei amigo dele, e fui convidado a ser instrutor de Judô na academia do Sensei Alves, que era da PM.

4.Quem era os principais nomes daquela época?
R: Já lutavam Euclides, Ivan Gomes, Waldemar, “Índio”, “Bernardão”, “Fidelão”, menos conhecidos os irmãos Tairovich, “King Kong”, “Touro Novo”, Cicero “Dragão”, Sales, Valdo e Manoel Santana, Diderou, Irmãos Moura, Lucena, Mestre Sá, José Gomes, Balbino, Irmãos Cirillo etc…

5. Como era o treinamento daquela época?
R: Treinava Judô com Diógenes Morais, complementava com o Jiu-Jitsu e Luta Livre com o professores José Maria Freire e Euclides Pereira, treinava um pouco de Boxe, Taekwondo com Mestre Kim e com Sensei Siqueira, cheguei a treinar Capoeira com Euclides e Mestre Caiçara, um pouco de Savate com um bailarino francês por algum tempo, gostava de aplicar muitas quedas como Harai goshi, Uchimata, Kataguruma.

6. Qual seu cartel de lutas?
R: Cheguei a fazer 127 lutas, andando o Brasil com Euclides Pereira, fui para lutar em Manaus através do grande amigo Francisco “Índio”, cheguei a lutar contra Miltão “Zulu”, “He-Man”, Nil Fagundes “Paraguaio”, Nero “nervos de aço ”, Djalma Vitalino, Balbino, Manoel Santana, Sales “Sanguinário”, “Pantera do Ringue”, Gilvan “Demolidor, “Falcão”, Josias etc…

7. O senhor lutou contra o “He-Man do Nordeste” e depois chegou a treinar ele?
R: Lutei e ganhei, o “He-Man” como era conhecido, mais o seu verdadeiro nome era Hércules Lenine Baptista, um Paraguaio que lutava Tele Cacth e virou lutador de Vale Tudo. O Rei Zulu chegou em Maceió desafiando todo mundo, eu tinha sofrido uma lesão no joelho e não pude lutar com ele. Foi então que chamaram o “He-Man” para lutar e acabei treinando ele para lutar contra o Zulu onde saiu vencedor em 1985.

8. Qual foi a sua luta mais dura?
R: Teve algumas, contra um Paraguaio que se chamava Nil Fagundes, que treinava kickboxing e Sambô e foi muita pancada, outra com José Maria Moura, irmão do Mestre Jurandir Moura, o Manoel Santana e José Gomes, muito técnico.

9. Qual a diferença do Judô da sua época para o Judô da atualidade?
R: O Judô naquela época não era tanto de competição, treinava muito o Ne-Waza ( chão ) a parte de Atemi-Waza, de contundência e pancada, além de defesa pessoal ( Goshin Jutsu ).

10.Qual a sua graduação atualmente no Judô?
R: Sou faixa coral 8º dan de Judô e faixa preta de 6º grau de Jiu-Jitsu tradicional estilo Ivan Gomes.

11.Deixe um recado para essa nova geração?
R: Que estude e se dedique, treine e treine, respeite seus e Mestre e professores e que Deus nos abençoe !!!
Não posso esquecer do grande amigo e professor de Luta Livre de Alagoas Sensei Genival Falcão, Mestre Banni Cavalcanti, Mestre “Índio” e sua Família e o lendário Euclides Pereira, Mestre José Gomes, Diógenes Morais e filhos, Família Nagai, Mestre Kawamura e Família e o Judô de Alagoas.

*Entrevista concedida aos colaboradores Dinaldson Silva, Genival Falcão e Oriosvaldo Costa em 17/04/2020 | Connection Japan

Mestre José Cabral nos mostra orgulhoso as fotos de jornal da época em que lutava Vale Tudo. ( Créditos | Cortesia : Acervo pessoal José Cabral | Divulgação ).
Cartaz anunciado uma das lutas do Mestre José Cabral. Ao todo, ele fez 127 lutas de Vale Tudo. ( Créditos | Cortesia : Acervo pessoal Hugo Lira | Divulgação ).
Cartaz anunciado uma das lutas do Mestre José Cabral. Ao todo, ele fez 127 lutas de Vale Tudo. ( Créditos | Cortesia : Acervo pessoal Hugo Lira | Divulgação ).
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