Coronavírus: Entrevista de Mandetta é vista como afronta no Planalto e sugere que ministro “força demissão”

A entrevista do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, à Rede Globo, no domingo, foi considerada no Palácio do Planalto como uma “afronta” ao presidente Jair Bolsonaro. O tom adotado por Mandetta foi avaliado como uma provocação desnecessária e desagradou principalmente os ministros militares, principais fiadores da permanência dele no cargo.

No Fantástico, o ministro da Saúde fez questão de criticar pessoas que estejam afrouxando as regras de isolamento e mencionou pessoas que frequentam “padarias”. Mandetta disse também que o brasileiro não sabe se escuta ele ou o presidente sobre como se comportar durante a crise de saúde e alertou que os meses de maio e junho serão os mais duros.

Aliados presidenciais, no entanto, descartam no momento a demissão do ministro da Saúde. Na manhã desta segunda-feira (13), Bolsonaro evitou polemizar as declarações de Mandetta e disse apenas que “não assiste à Globo”.

Na avaliação de assessores, o presidente quer um “bode expiatório”, alguém para ser responsabilizado caso o sistema de saúde entre em colapso. “Para a crise econômica, os governadores serão os culpados, e para a crise na saúde, o ministro seria o responsável”, analisa um aliado, lembrando também que a popularidade de Mandetta é superior à do presidente e uma possível demissão causaria mais desgaste ao governo.

A entrevista ainda foi vista como uma tentativa de “forçar a sua demissão”, já que Mandetta tem repetido que não vai pedir demissão, porque “médico não abandona paciente”. Nos bastidores, comenta-se em uma eventual candidatura de Mandetta para a prefeitura de Campo Grande neste ano ou para o governo de Mato Grosso do Sul em 2022.

A candidatura é bem vista dentro do DEM, partido de Mandetta. 

Os rumores aumentaram já que a entrevista ao Fantástico foi gravada no Palácio das Esmeraldas, sede do governo de Goiás. Antigo aliado, o governador Ronaldo Caiado (DEM) rompeu no mês passado com o presidente, após Bolsonaro se referir à Covid-19 como um “gripezinha” e ter incentivado as pessoas a voltarem à “normalidade para evitar um colapso econômico.

Mandetta e Caiado seguiram juntos para Goiânia após participarem de uma visita à construção de um hospital de campanha em Águas Lindas (GO), no sábado (12). Bolsonaro também participou da visita e depois andou pelas ruas provocando aglomerações e cumprimentando pessoas sem máscara.

Entrevista ao Fantástico

“Quando você vê as pessoas entrando em padaria, entrando em supermercado, fazendo filas uma atrás da outra, encostadas, grudadas, pessoas fazendo piquenique em parque, isso é claramente uma coisa equivocada”, afirmou o ministro da Saúde na entrevista.

“Eu espero que essa validação dos diferentes modelos de enfrentamento dessa situação possa ser comum e que a gente possa ter uma fala única, uma fala unificada. Isso leva para o brasileiro uma dubiedade. Ele não sabe se escuta o ministro da Saúde, o presidente, quem é que ele escuta”, disse.

Foto: Marcos Corrêa/PR

Fonte: Yahoo Notícias .

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