Coronavírus: Especialistas criticam passeio de Bolsonaro: ‘Tudo que não é para ser feito’

RIO – O passeio do presidente Jair Bolsonaro por ruas e pelo comércio do Distrito Federal, neste domingo, foi classificado como “inadequado” e “deseducador” por especialistas na área da saúde. Bolsonaro, que disse ter ido também ao Hospital das Forças Armadas para observar o “fluxo das pessoas”, aparece a pouca distância de transeuntes em diversas imagens, e chega a levar a mão ao rosto enquanto conversava com um vendedor ambulante em Taguatinga, cidade-satélite de Brasília, descumprindo recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde para combate ao novo coronavírus.

Ao conversar com o ambulante, cercado por cerca de 20 pessoas, Bolsonaro citou ainda um suposto estudo que apontaria a eficácia do medicamento hidroxicloroquina, normalmente usado em casos de malária, na cura do Covid-19. No sábado, o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta havia afirmado que os estudos ainda são “incipientes” e também havia reforçado o pedido por isolamento social, descumprido por Bolsonaro neste domingo. Para a presidente da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), Gulnar Azevedo, Bolsonaro passou um sinal “totalmente negativo” em relação às orientações do ministério da Saúde.

— Todas as pessoas só deveriam estar na rua em caso de necessidade urgentíssima. E, mesmo assim, não deveriam estar conversando, próximas. É muito deseducador que o chefe da nação transmita essa imagem, mesmo depois da suspensão da campanha do governo federal que incentivava as pessoas a saírem às ruas – avaliou Azevedo.

A especialista também lembrou que, devido à preocupação de transmissão do Covid-19 por pacientes, não é momento de “passear” em hospitais – que devem ser buscados somente em caso de sintomas graves. Segundo Azevedo, até a equipe de seguranças de Bolsonaro deveria procurar manter uma distância mínima de 1,5m para o presidente, o que não foi cumprido.

— Ele fez tudo que não é para ser feito – resumiu Azevedo.

Para o epidemiologista Guilherme Werneck, professor da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), a saída de Bolsonaro naturalmente cria aglomerações, por ser tratar de alguém com quem “as pessoas querem tirar fotos, apertar a mão”.

— É inconveniente na medida em que ele mesmo cria a própria aglomeração. Não existe nenhum motivo para fazer isso – declarou.

Werneck também afirmou que o presidente “perdeu a oportunidade de agir de forma educativa” ao não higienizar as mãos antes de tocar no próprio rosto, o que também contraria recomendações do Ministério da Saúde. Em vídeos que circulam na internet, Bolsonaro toca em superfícies expostas, como portas de automóveis e até na roupa de apoiadores. Não há registros, porém, de uso de álcool gel 70 para higienizar as mãos, descumprindo a chamada “etiqueta de proteção”.

— É claro que não vai usar o álcool em gel toda hora, mas poderia evitar tocar no rosto. Além disso, se tivesse um álcool em gel, poderia ter passado diante das pessoas. Seria um gesto de grande impacto, do presidente da República tomando as precauções recomendadas. Do jeito que foi, a mensagem que ele passa é que não precisa ter precaução – lamentou o especialista.

Fonte: Extra .

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