Brasil proíbe entrada de estrangeiros, 3,4 mil casos e 92 mortes já registradas

O Brasil proibiu na sexta-feira todos os estrangeiros não residentes de entrar no país por seus aeroportos para diminuir a propagação do coronavírus, mas o presidente Jair Bolsonaro instou os brasileiros a voltar ao trabalho em vez de praticar o distanciamento social.

A proibição de viagem do Ministério da Justiça, publicada no Diário Oficial do Brasil, entra em vigor na segunda-feira e segue medidas semelhantes em vários outros países da América do Sul.

A resposta inconsistente do Brasil ao surto de coronavírus provocou uma disputa feia entre o presidente e os governadores de estado.

Ignorando os apelos dos especialistas em saúde pública, Bolsonaro disse que quer manter a economia funcionando, zombando da “histeria” em torno de um vírus que ele chama de “um pouco de gripe”. Ele está com raiva de governadores e prefeitos que levaram estados como São Paulo e Rio a quase paralisação para conter o surto.

Na sexta-feira, Bolsonaro lançou um anúncio de televisão “#BrazilCannotStop”, apresentando um slogan semelhante a uma campanha em Milão antes que as mortes na Itália disparassem.

“Para os vendedores de bairro, para os lojistas nos centros das cidades, para empregados domésticos, para milhões de brasileiros, o Brasil não pode parar”, disse o anúncio, que mostra cenas de salas de aula lotadas e mercados de rua.

O anúncio de TV, compartilhado nas redes sociais por aliados de Bolsonaro, incluindo seu filho, o senador Flavio Bolsonaro, foi encomendado pelo gabinete do presidente a um custo de 4,9 milhões de reais sem consultar o Ministério da Saúde, segundo duas pessoas com conhecimento da questão. importam.

Uma autoridade do Ministério da Saúde disse a repórteres que não iria comentar sobre Bolsonaro e que as diretrizes que recomendam o distanciamento social permanecem as mesmas.

O governador de São Paulo, João Doria, ex-aliado de Bolsonaro que entrou em conflito com o presidente por lidar com a crise, chamou o anúncio de “desinformação”.

“Mais de 50 países estão em quarentena. Então, o mundo inteiro está errado e a única pessoa correta é o presidente Jair Bolsonaro? ” ele disse na sexta-feira.

Mortes aumentam

Na sexta-feira, o banco central do Brasil pediu poderes de compra de títulos emergenciais, de acordo com as políticas de “flexibilização quantitativa” em outros países, ao mesmo tempo em que apresenta uma linha de crédito de 40 bilhões de reais para ajudar empresas menores com a folha de pagamento.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, também disse que o governo oferecerá 45 bilhões de reais a trabalhadores independentes e informais, acrescentando que todas as medidas de combate ao coronavírus do governo totalizarão 700 bilhões de reais em três meses.

Os casos confirmados de coronavírus no país saltaram para 3.417 na sexta-feira, de 1.891 na segunda-feira, quando as mortes relacionadas subiram para 92, segundo o Ministério da Saúde.

A popularidade de Bolsonaro caiu durante a crise, e muitas pessoas em todo o Brasil batem panelas e frigideiras em suas janelas todas as noites em protesto por seu tratamento.

Em contra-protestos na sexta-feira, os apoiadores de Bolsonaro dirigiram caravanas pelas principais cidades para se opor aos bloqueios, compartilhando vídeos de mídia social com a hashtag #BrazilCannotStop.

O slogan é semelhante ao #MilanWillNotStop, que se tornou popular no norte da Itália em fevereiro. A Itália tornou-se um epicentro global do surto, com mais mortes que a China.

Fonte: Reuters // Créditos da imagem: REUTERS/Ueslei Marcelino

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