Jair Bolsonaro diz que crise de coronavírus é um truque da mídia

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, acusou seus inimigos políticos e a imprensa de “enganar” propositadamente os cidadãos sobre os perigos do coronavírus, enquanto a América Latina se preparava para um aumento no número de mortes.

A pandemia já matou quase 15.000 vidas em todo o mundo e parece exigir um preço mortal para a América Latina nas próximas semanas, com muitos governos regionais fechando fronteiras e fechando grandes cidades em uma tentativa desesperada de limitar os danos.

Mas Bolsonaro resistiu a medidas drásticas, descartando a “histeria” da mídia por causa do coronavírus e chamando a doença de “um pouco de gripe”.

Em uma entrevista discreta na televisão no domingo à noite, Bolsonaro subestimou a pandemia e atacou os governadores de estados-chave, incluindo Rio de Janeiro e São Paulo, que ordenaram que os moradores ficassem em casa e estão impondo quarentenas.

“As pessoas logo verão que foram enganadas por esses governadores e pela grande parte da mídia quando se trata de coronavírus”, disse Bolsonaro, enquanto suas próprias autoridades de saúde anunciavam 25 mortes e 1.546 casos de coronavírus no Brasil.

Batedores de panela

Bolsonaro alegou que uma onda de protestos que iniciaram na sexta até o domingo, fazia parte de uma trama apoiada pela mídia para derrubá-lo.

“É uma campanha sem vergonha, uma campanha colossal e absurda contra o chefe de Estado. Eles querem me forçar a sair da maneira que for possível”, afirmou.

Na segunda-feira, duas pesquisas de opinião sugeriram descontentamento generalizado com o comportamento de Bolsonaro.

Um deles, pelo pesquisador brasileiro Ibope, encontrou 48% das pessoas na cidade de São Paulo agora considerando seu governo ruim ou péssimo.

Outro, do grupo Datafolha, disse que 51% dos brasileiros ricos e 46% daqueles com educação universitária estavam igualmente impressionados com o manejo da crise do coronavírus.

Apoio continua

Eliane Cantanhêde, comentarista política do jornal conservador Estado de São Paulo, disse que o apoio a Bolsonaro não havia desmoronado completamente.

“Temos que reconhecer que muitos bolonaristas ainda são bolonaristas. Tenho amigos com diplomas universitários – advogados, diplomatas – que acreditam em tudo o que ele diz … Um bastião fortemente bolonarista ainda existe”.

“Mas outros – que votaram nele [em 2018], mas não são bolonaristas obstinados – estão começando a ver claramente que algo está errado e que o presidente vive em um universo paralelo”, acrescentou Cantanhêde.

Em uma coluna publicada em dezembro passado, Cantanhêde declarou Bolsonaro não apenas o favorito esmagador para as eleições de 2022, mas “imbatível”.

Agora, ela acredita que a reação dele ao coronavírus destruiu essas esperanças.

“Acho que ele foi ferido fatalmente nas eleições [em 2022] … Se a eleição fosse realizada hoje, há uma grande chance de Bolsonaro ser derrotado”, disse Cantanhêde. “Este foi um momento divisor de águas”.

Fonte: Guardian/Estado de S. Paulo // Créditos da imagem: Andressa Anholete/Getty Images

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