Coronavírus: por que os EUA estão ‘fracassando’ no combate à covid-19

Um homem que voltou aos Estados Unidos após uma viagem à China, em fevereiro, sentiu-se resfriado. Foi a uma sala de emergências em Miami, temendo ter sido contagiado pelo novo coronavírus durante sua viagem.

Depois de algumas análises, os médicos lhes deram uma boa notícia: era só um resfriado comum. Receitaram-lhe alguns medicamentos para o mal-estar e disseram que ele poderia ir para casa.

Mas uma carta que recebeu duas semanas depois quase o fez ficar doente de novo: ele devia ao hospital mais de US$ 3 mil (R$ 15 mil) pelos gastos com os exames que eles haviam feito.

À medida que o vírus se espalha pelo país e os contágios aumentam, acadêmicos, especialistas em saúde e organizações civis temem que o caso — reportado primeiro pelo jornal Miami Herald — não seja único.

O pior: a própria forma como o sistema de saúde americano — o mais caro do mundo — é desenhado contribui de forma indireta a uma maior expansão de covid-19.

Nesta quinta, 12, o médico Anthony Fauci, chefe do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA, admitiu que o sistema de saúde do país “está fracassando” na forma como está respondendo aos novos casos de coronavírus.

“O sistema não está realmente orientado ao que precisamos neste momento. É um fracasso. Vamos admiti-lo”, disse a principal autoridade em infectologia do país em um audiência no Congresso.

Na semana passada, o governo de Donald Trump pediu mais de US$ 8 bilhões ao Congresso para enfrentar os efeitos do vírus, enquanto o Departamento de Saúde pediu mais de US$ 2,5 bilhões para monitorar e detectar os contágios, apoiar as gestões governamentais e locais e desenvolver vacinas e tratamentos.

Trump designou seu vice-presidente, Mike Pence — sem nenhuma experiência em assuntos de saúde — para comandar uma “tropa de choque” que executará as tarefas para combater o vírus no país.

No entanto, apesar da data, embora Trump tenha anunciado o veto à chegada de estrangeiros de 26 países europeus e numerosas medidas econômicas tenham sido adiantadas para tentar acalmar os mercados e estabilizar a Bolsa, não se sabe qual é o plano concreto do governo para tentar lidar com o vírus a partir de seu sistema de saúde pública.

“Nunca se está preparado para um vírus como esse, e creio que nenhum país estava. Mas é certo que no caso dos Estados Unidos a resposta não foi suficientemente rápida”, diz à BBC Alex Greninger, especialista em virologia da Universidade de Washington.

O problema com o número de casos

Um dos fatos mais desconcertantes para a comunidade científica americana é o número de casos reportados oficialmente pelas autoridades de saúde.

“O que acontece agora é que não sabemos quantos casos realmente há no país”, diz William Schaffner, professor de Medicina Preventiva e Doenças Infecciosas da Universidade de Vanderbilt, em Nashville, nos EUA.

Segundo os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a organização de saúde pública estatal encarregada do monitoramento do vírus, até esta sexta, 13 de março, 1,7 mil novos casos de coronavírus haviam sido reportados nos EUA. No total, 41 pessoas morreram.

Para especialistas, os problemas que os CDC apresentaram desde o início para monitorar os casos fazem com que os números não sejam confiáveis.

Foto: Antonio Perez/Chicago Tribune/AP.

Fonte: Lioman Lima – @liomanlima – BBC News Mundo.

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