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Oposição pede ao Congresso para arquivar projeto de lei que libera exploração de reservas indíginas

Os parlamentares da oposição pediram na quinta-feira ao Congresso do Brasil que rejeite uma proposta do presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro de abrir reservas indígenas à mineração comercial, dizendo que isso coloca em perigo alguns dos habitantes das florestas mais isolados do mundo.

Apoiados por Sydney Possuelo e Antenor Vaz, duas importantes autoridades das tribos isoladas do Brasil na Amazônia, três parlamentares de esquerda pediram ao presidente da câmara que cumprisse sua promessa de arquivar a lei do governo.

Eles disseram que Bolsonaro estava desmantelando as proteções estatais para as 900.000 pessoas tribais brasileiras construídas ao longo de décadas e transformou a agência de assuntos indígenas administrada pelo governo, conhecida como Funai, em uma ferramenta de interesses privados da agricultura e mineração.

“Nunca vi as 200 tribos indígenas em perigo”, disse Possuelo, ex-chefe da Funai que, nos anos 90, ajudou a fixar os limites do Território Indígena Yanomami, a primeira e maior reserva do Brasil, que é o tamanho de Portugal.

Bolsonaro disse que quer assimilar os povos indígenas do Brasil na sociedade brasileira e planeja desenvolver a Amazônia economicamente, argumentando que as tribos vivem na pobreza como “animais” em um zoológico.

Possuelo disse que o governo reverteu uma política datada de 1986 que buscava proteger tribos isoladas do contato com a sociedade brasileira para impedir que fossem dizimadas por doenças e ameaçadas por caçadores ilegais e madeireiros.

O Brasil possui o maior número de grupos indígenas isolados e isolados, 114 dos 185 conhecidos na América do Sul, disse Vaz, que alertou sobre o risco de etnocídio.

“A Funai foi assaltada por pessoas que servem aos interesses dos lobbies agrícolas e mineiros”, disse a líder minoritária Jandira Feghali, uma congressista do Rio de Janeiro. Ela disse que o Estado tem o dever de proteger os povos indígenas do Brasil.

Possuelo condenou a indicação da semana passada pelo governo de Bolsonaro de um ex-missionário evangélico para administrar o departamento de tribos indígenas isoladas e recentemente contactadas pela Funai, que ele criou em 1992.

Os promotores federais na terça-feira entraram com uma ação para bloquear a nomeação, citando conflito de interesses em ter alguém na posição que estava vinculado a um grupo missionário que busca converter “pessoas não alcançadas” ao cristianismo.

Fonte: Reuters

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