China nomeia Baolong para supervisionar Hong Kong

Um político famoso pela demolição de milhares de igrejas cristãs foi nomeado novo chefe do escritório da China em Hong Kong, um sinal de que Pequim pretende reforçar ainda mais o controle da cidade semi-autônoma, dizem analistas.

Xia Baolong, um aliado do presidente Xi Jinping, foi nomeado diretor do Gabinete de Assuntos de Hong Kong e Macau sob o Conselho de Estado, substituindo Zhang Xiaoming, informou a mídia estatal na quinta-feira. Sua nomeação ocorreu em meio a um expurgo de funcionários em Hubei, a província destruída pelo surto de coronavírus.

Zhang se tornou o mais alto funcionário nomeado por Pequim a perder o emprego após meses de protestos contra o governo em Hong Kong. A cidade foi alvo de mais de sete meses de protestos por causa de um projeto de extradição que permitiria que suspeitos fossem enviados à China continental para julgamento.

Amigos de longa data

Xia foi vice de Xi quando ele foi secretário do partido comunista da província de Zhejiang, de 2003 a 2007. Xia era conhecido por sua ideologia de linha dura em uma campanha de 2014 para derrubar milhares igrejas na província, enquanto ele mais tarde cargo de secretário do partido em Zhejiang – cargo que ocupou até 2017. Ele se tornou vice-presidente e secretário-geral da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês em 2018.

Analistas dizem que a nomeação de Xia é um sinal de que a China quer aumentar seu controle sobre Hong Kong e reduzir ainda mais sua sociedade civil.

Willy Lam, professor adjunto da Universidade Chinesa de Hong Kong, disse que a nomeação de Xia é “uma má notícia para Hong Kong”. “Isso indica que a China colocará Hong Kong sob um exame mais minucioso e reforçará o controle sobre todos os aspectos da cidade”, disse ele.

O professor Ying Fuk Tsang, diretor da escola de divindade da Universidade Chinesa de Hong Kong, disse que a nomeação de um aliado próximo de Xi que sempre demonstrou sua vontade de cumprir suas ordens significa que ele também pode intensificar o controle ideológico em Hong Kong.

“Ele tem um histórico como ditador. Se as autoridades centrais querem mais repressão, ele não poupará esforços”, afirmou. “Isso definitivamente terá um impacto na sociedade civil de Hong Kong.”

A China já indicou seu desejo de colocar Hong Kong sob controle mais rígido após uma importante reunião do partido comunista, o Quarto Plenário, em novembro do ano passado. Um comunicado do partido disse que o interesse nacional deveria ter prioridade sobre a política dos “dois sistemas” que permitiu ampla autonomia a Hong Kong desde a transferência do domínio colonial britânico, e alertou que não toleraria “nenhuma ação que dividisse o país”.

Ele também pediu que Hong Kong aperfeiçoasse seu sistema legal para “salvaguardar a segurança nacional”, “fortalecer o poder de aplicação da lei” e aumentar a “educação patriótica” de jovens e funcionários públicos.

Fonte: Guardian // Créditos da imagem: Imaginechina Limited/Alamy Stock Photo

0 0 vote
Article Rating
Subscribe
Notify of
guest

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments