Secretário de cultura do Brasil demitido após usar citações nazistas

O secretário de cultura do Brasil, Roberto Alvim, foi demitido depois que ele pareceu parafrasear o ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels em um vídeo online para promover um prêmio nacional de artes.

“A arte brasileira na próxima década será heróica e nacional”, disse Alvim, para a música de Wagner’s Lohengrin, considerada a ópera favorita de Hitler, com um retrato do presidente de extrema-direita, Jair Bolsonaro, e uma bandeira brasileira na fundo.

“Ele será dotado de uma grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativo, pois está profundamente ligado às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada”, continuou ele.

As palavras são surpreendentemente semelhantes àquelas que o ministro de Hitler teria dito a um grupo de gerentes e diretores de teatro em 1933: “A arte alemã na próxima década será heróica, de aço, mas romântica, factual sem sentimentalismo; será nacionalista com uma grande profundidade de sentimento; será obrigatório e se unirá, ou deixará de existir”.

No Facebook, Alvim meramente classificou a frase como uma “coincidência retórica”.

Desde que assumiu o cargo no ano passado, Bolsonaro tem sido repetidamente criticado por opositores por promover uma agenda cultural cristã conservadora e ao mesmo tempo cortar fundos para projetos de artes e cinema.

Os aliados da guerra cultural de Bolsonaro atacaram o que chamam de “marxismo cultural” e condenaram todos os avanços sociais, desde as mudanças climáticas, direitos LGBT ao feminismo.

O último esforço, lançado no vídeo pelo secretário de Cultura Alvim, vem na forma de um fundo de prêmios de US $ 20 milhões para exposições de teatro, ópera, arte e música, com temas conservadores e religiosos priorizados.

“Virtudes de fé, lealdade, sacrifício próprio e luta contra o mal serão elevadas ao território sagrado das obras de arte”, afirmou Alvim.

O vídeo provocou indignação generalizada em todo o espectro político e pede a demissão imediata da secretária.

“Quando a cultura adoece, as pessoas também adoecem”, afirmou Alvim no vídeo.

“O secretário de cultura passou dos limites. Isso é inaceitável. O governo brasileiro deve removê-lo com urgência do cargo ”, twittou Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Democratas de direita, terceiro na fila da presidência.

Na tarde de sexta-feira, Bolsonaro twittou que Alvim havia sido demitido. “Uma declaração infeliz, embora apologética, tornou insustentável para ele continuar”, disse ele.

Na noite em que o vídeo foi gravado, Bolsonaro havia dito sobre Alvim: “Agora temos uma verdadeira secretária de cultura.”

Alvim, um cristão, aceitou o cargo em novembro do ano passado e já havia sido criticado por sugerir que o rock incentiva o aborto e o satanismo.

Fonte: Guardian // Imagem: Eraldo Peres / AP

0 0 vote
Article Rating
Subscribe
Notify of
guest

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments