Influência da China no Sudeste Asiático preocupa cidadãos, mostra pesquisa

A crescente influência econômica e política da China no sudeste da Ásia é uma fonte crescente de preocupação, à medida que a influência dos EUA diminui sob o presidente Donald Trump, de acordo com uma pesquisa com autoridades, acadêmicos e outros profissionais publicada na quinta-feira.

Dos 1.300 participantes da pesquisa Estado do Sudeste Asiático, a proporção que desconfia da China subiu para mais de 60%, abaixo dos 52% em 2019. Quase 40% disseram que pensavam que a China era “uma potência revisionista e pretende transformar o Sudeste Asiático em sua esfera de influência”.

“As preocupações da região com a influência substancial e ainda crescente da China decorre da incerteza na maneira como a China usa seu enorme poder”, disse Tang Siew Mun, do Instituto ISEAS-Yusof Ishak, com sede em Cingapura, por trás da pesquisa.

“A assertividade da China no Mar da China Meridional e a propensão de Pequim para o comércio de armas são suficientes para causar uma preocupação crescente de que a ascensão da China possa não ser tão pacífica quanto supostamente”.

Dito isso, em uma das questões atuais mais importantes, o futuro das redes 5G, a Huawei e outras empresas de telecomunicações chinesas foram consideradas apostas melhores do que suas rivais nos EUA, apesar das acusações dos EUA de que os equipamentos da Huawei poderiam ser usados ​​para espionagem.

Dentre os entrevistados, 60% dizem que não confiam na China, em comparação a 50% que escolheram os EUA, 55% a Índia, e apenas 20% tem imagem ruim do Japão, fazendo deste ultimo o país mais confiável no sudeste asiático.

Quase 80% dos entrevistados – principalmente de cargos públicos, universidades e grupos de reflexão – escolheram a China como o poder econômico mais influente, acima dos 73% em 2019. Cerca de 52% disseram que era o poder político e estratégico mais importante, acima dos 45%.

A grande maioria dos que escolheram a China nas duas pesquisas disse estar preocupada com essa crescente influência.

Os entrevistados do Vietnã e das Filipinas – que há muito tempo discutiam com Pequim sobre reivindicações no Mar da China Meridional – eram os mais desconfiados da China.

As acusações de maus tratos da China a muçulmanos em Xinjiang, o manuseio de protestos pró-democracia em Hong Kong e o uso de força econômica também foram apontados como preocupações no relatório.

O número de entrevistados que escolheram os Estados Unidos como o principal poder político da região recuou de 27% para 27%. No plano econômico, manteve-se estável em 8% a partir de 2019, primeiro ano em que a pesquisa foi realizada.

Mais de três quartos dos entrevistados disseram que o envolvimento dos EUA com o Sudeste Asiático diminuiu sob Trump em comparação com seu antecessor, Barack Obama.

No que diz respeito à implantação de redes móveis 5G, a Samsung da Coréia foi a preferida por quase 40% dos entrevistados. Mas a Huawei e outras empresas chinesas eram vistas como preferíveis a fornecedores europeus ou dos EUA.

As empresas chinesas chegaram são as prediletas em Laos, Camboja e Malásia.

Fonte: Reuters // Imagem destaque: REUTERS/Alfred Jin

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