Mistérios na fuga de Carlos Ghosn para o Líbano

O réu Carlos Ghosn declarou “estou no Líbano”, mas as autoridades japonesas ainda não sabem como conseguiu sair do país em seu jato particular.

Já está confirmado que o réu Carlos Ghosn, 65, está mesmo no Líbano, pela sua declaração, na terça-feira (31). No entanto, o segurança de sua mansão na capital, Beirute, afirma que ele não está lá.

O ponto-chave é como ele conseguiu sair do Japão, já que não foi encontrado nenhum registro. A imprensa japonesa só soube disso por causa da mídia internacional.

Segundo a NHK as autoridades libanesas confirmaram a entrada dele no país, em seu jato particular, via Turquia. Informaram que deve ter dado entrada com outro nome. Chegou por volta das 6h30 de terça-feira (horário Japão) e à noite de segunda-feira naquele país.

Dentre as condições da prisão domiciliar em abril deste ano estava claro que não poderia deixar o Japão, tampouco ter contato com sua esposa. Com ela falou algumas vezes por videoconferência.

O que dizem tribunal, promotores e banca de advogados
O Tribunal de Tóquio informou para a NHK que está apurando os fatos com a promotoria. Essa por sua vez disse que “ainda não sabemos, estamos verificando”.

O mesmo disse um dos advogados da defesa “não sei de nada”. Um representante do Ministério da Justiça declarou que isso está em verificação.

Como ele conseguiu sair do país continua um mistério.

Soltura pode ser cancelada e 1,5 bilhão de ienes confiscado
Se o tribunal decidir cancelar a liberdade sob fiança o réu terá o valor depositado confiscado. Sabe-se que a soma chega a 1,5 bilhão de ienes. E é muito provável que ao entrar de volta no Japão deverá ir direto para a penitenciária.

Condições severas
As condições para sua liberdade provisória eram severas. Tinha que viver em um apartamento em Tóquio, proibido de ter contato com os funcionários e diretores da Nissan onde foi CEO, proibido de ir ao exterior e seus passaportes estavam sob guarda dos seus advogados, restrição de uso do computador, smartphone e outros dispositivos, além de outras condições, no total de 10.

Em relação ao julgamento de Ghosn, o Tribunal Distrital de Tóquio realizaria a primeira audiência em 21 de abril de 2020, por violação dos Instrumentos Financeiros e da Lei de Câmbio.

Se ele não voltar não poderá ser realizado o julgamento.

Cansei de ser refém
A expectativa é o seu pronunciamento em coletiva de imprensa a ser realizada em Beirute, apontam rumores.

Uma pessoa muito próxima do réu disse para a AFP “Carlos Ghosn não tenta se esquivar de suas responsabilidades, mas foge da injustiça do sistema japonês”. No Wall Street Journal há outra declaração: “fugiu do Japão porque não pode obter um julgamento justo”. Também teria dito para ele “cansei de ser prisioneiro político”.

Pediu para um representante seu nos Estados Unidos dizer que “me cansei de ser refém”, além declarar que se encontra em Beirute.

Ainda não se sabe quem o ajudou a fugir e quantas pessoas foram. Também não se sabe qual nome e passaporte teria usado para a fuga, já que estava sem nenhum dos 3 em mãos – o brasileiro, o libanês e francês.

De salvador a réu
Só para relembrar Carlos Ghosn foi o “salvador” da Nissan, desde 1999, tirando-a da quase falência e transformou a montadora em uma potência. Foi preso em novembro do ano passado, junto com seu braço direito.

Passou mais de 4 meses no cárcere e foi solto sob fiança em abril deste ano.

Fontes: NHK, ANN, Sankei e Asahi.

Créditos da foto: Foto tirada em dezembro de 2018 mostra outdoor declarando apoio a Carlos Ghosn em Beirute, no Líbano Foto: JOSEPH EID / AFP

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