Entrevista exclusiva com a atleta de MMA Gilsely ‘Gilborg’ Perêa

Uma das maiores atletas do MMA amazonense, Gilsely “Gilborg” Perêa já ostenta um currículo composto por 15 lutas profissionais no MMA. Na foto, ao lado dos seus mestres, “Prainha” ( Boxe ) e “Totonho” ( Luta Livre ). ( Créditos | Cortesia : Acervo pessoal Gilsely Perêa | Site : nopodio ).

Natural de Benjamin Constant ( município localizado a 1.121 quilômetros a oeste de Manaus ) e atualmente residindo na capital do estado do Amazonas, a lutadora Gilsely ‘Gilborg’ Perêa tem uma história de vida emocionante. Tendo iniciado nas artes marciais ainda em sua cidade natal, onde praticava Kung-Fu e Capoeira, hoje ela é adepta do Jiu-Jítsu e da Luta Livre e vem construindo uma carreira sólida no MMA.
Após sobreviver à dois acidentes de trânsito – um quando ainda morava em Benjamin Constant e outro em fevereiro de 2018, já em Manaus – a atleta retomou a carreira no MMA com vitória e agora se prepara para novos desafios.
Nessa entrevista exclusiva com a lutadora amazonense vamos explorar estas e outras curiosidades da vida da grande estrela do MMA do Alto Solimões. Confira :

1) Gilsely Perêa, quais são os seus dados básicos : idade, peso e altura ? Também fale um pouco sobre você. Como é a sua vida fora das competições ?
“Gilborg” : 29 anos, 57 kg, 1,59 de altura.
Além de ser atleta de MMA, faço faculdade de Engenharia Civil, já no final do ano deverei me formar. Quero me formar e quero continuar treinando, focando nos melhores eventos fora do estado, mais sempre temos dificuldades.
Agora estou finalizando mais um período na faculdade, então nessas duas últimas semanas estou me dedicando às provas finais.
Mas não deixo de treinar, moro na zona norte, em Manaus, durante a semana estudo de manhã, a tarde treino boxe com meu mestre Praia e faço ‘sparring’ com a galera da equipe MPBJJ e também treino a minha arte, a Luta Livre, com a minha equipe, que é a Amazonas Top Team.
Além de estudar, me dedico às vendas virtuais de confecções de roupas femininas, junto com minha esposa Tharcy. É dessa renda que tiramos uma grana pra contas essenciais, e assim ter como treinar, pois se me fixar em um emprego, não terei tempo para os meus treinos.
Mas a vida é uma competição, não podemos parar de lutar …

2) Você é de Benjamin Constant ( Amazonas ) e hoje vive em Manaus. Essa sua mudança para a capital do estado foi por conta das artes marciais ?
“Gilborg” : Minha mudança para Manaus foi por conta do acidente, depois fiquei por conta das oportunidades de poder estudar e treinar.

3) O que levou você à iniciar a prática das artes marciais e por que esse apelido : “Gilborg” ?
“Gilborg” : Desde criança, estive envolvida em esportes, na luta. Sou do interior do Amazonas ( como você falou ), não me lembro o certo que idade tinha quando comecei à treinar. Mas sempre estava no meio do futebol, competia no ciclismo, conheci um pouco do Kung Fu no projeto, mas onde me dediquei mais foi na capoeira. Tinha mais emoção, adrenalina.
Tenho 11 anos na Luta Livre, sou faixa marrom do mestre Antonio Aleixo, o “Totonho”, que é faixa preta de Luta Livre e da Mestra Juliana Gonçalves, faixa preta de Luta Livre e Jiu-Jítsu.
Eu conheci a Luta Livre quando cheguei em Manaus depois de um acidente de moto na minha cidade.
Depois do acidente, passei uns meses em Manaus em recuperação, e engordei, quis ir para academia, e lá conheci a luta … Contei minha história para a equipe, sobre o acidente que ocorreu comigo, tenho ferro no queixo e maxilar . Meus colegas de treino me chamavam de ‘Borg’, e assim ficou “Gilborg”.

4) Você sofreu um acidente no ano passado ( já em Manaus ) e também já havia sofrido um outro quando ainda morava em Benjamin Constant. O que você poderia nos falar sobre isso ?
“Gilborg” : Eu deveria lutar em Manaus no Jaguar Combat, um evento que foi realizado em fevereiro de 2018 e fui para o Rio de Janeiro treinar. Com o início das aulas na Faculdade, eu concluí o ‘camp’ que foi ‘top’ e voltei para Manaus no sábado. Já na segunda, à caminho da faculdade, fui atropela por um caminhão que me parou geral de todas as competições.
Só que mais uma vez, Deus me livrou.
E estou aqui contando a história.
Tranquei faculdade e fiquei um tempo de recuperação e agora estou aqui … Voltei à competir.
Venho de Vitória. Lutei MMA em julho. Saldo positivo.
E sempre na fé em Deus que vai dar tudo certo.

5) Atualmente muitas mulheres praticam o Jiu-Jítsu, mas você também pratica a Luta Livre. Por que optou por essa outra modalidade uma vez que você também é adepta da ‘arte-suave’ ?
“Gilborg” : Eu me identifiquei mais com a Luta Livre, o contato e a pegada é diferente do Jiu-Jítsu, para mim é melhor para adaptar o meu jogo para o MMA. Assim como o Jiu-Jítsu também é fundamental.

6) Como surgiu esse seu interesse pelo MMA e quando foi a sua estreia nesse esporte ?
“Gilborg” : Em 2014 surgiu um convite para estrear no MMA. E fiquei muito motivada. Então procurei fazer uns treinos diferentes, buscar treinos técnicos. Assim comecei minha caminhada no MMA feminino.

7) Quantas lutas você tem no MMA ? Quais são os seus principais títulos no MMA e em outras modalidades esportivas ?
“Gilborg” : Tenho 15 lutas profissionais no MMA divididas nas seguintes categorias de peso : 52 Kg, 57 Kg, 61 Kg e até 66 Kg. Foi um desafio.. Mas na vida de lutador, quando surge uma guerra, você sempre tem que estar preparado.
Nem todas as minhas lutas estão cadastradas no Sherdog ( Sherdog é o maior site do mundo especializado em registrar o currículo do atleta profissional de MMA ) …
Tenho 10 Vitórias e 5 derrotas. E como todos nessa vida de atleta, também tenho derrota polêmica … Mas isso é passado e meu foco agora está no que vem pela frente.

No que diz respeito à outras modalidades, eu tenho títulos nos campeonatos da FASUB :
Campeã no Rio Grappling
Tri-Campeã Mundial de Luta Livre
Campeã Norte Nordeste
Campeã Amazonense de Submission e outros.

Inclusive estou na preparação do Campeonato Amazonense de Submission, dia 1° de dezembro.
E logo depois, no dia 22 de dezembro, irei participar de outra competição, que será o desafio : ‘7° encontro mulheres da luta’ … Um evento que reúne muitas mulheres que lutam.
E também estou me preparando pra fazer a defesa do meu cinturão na categoria peso palha do evento ‘Imperador’, do alto Solimões, em janeiro.

8) Quem sãos os seus mestres e seus principais parceiros de treinos ?
“Gilborg” : Meus mestres na Luta Livre são “Totonho” e Juliana, a galera geral do MPBJJ, mestre Márcio Pontes, da Nova União, que está no Rio acompanhando o ‘camp’ da Ketlen Vieira.

O mestre Eliezer Araújo, “Prainha”, meu professor de boxe que sempre está comigo, que sempre acredita em mim, divide seu tempo em trabalho, e dedica seu tempo comigo, ensinando seu boxe afiado, corrigindo meus erros. Meu mestre “Prainha” e mestre “Totonho” sinto muito amor e gratidão por eles. Eles acreditam em mim e é isso que me faz acreditar em mim também.

Quanto aos meus parceiros de treino, primeiro começa desde a minha casa, que é a minha companheira, a qual também me ajuda, cuidando da parte da alimentação, ajuda se esforçando para me acompanhar nos treinos, etc …
Posso citar mais alguns companheiros de treinos que são fundamentais para a nossa evolução diária, estamos ali para aprender de cada um deles, Athur, Bruninha, todos da minha equipe do CT Brunocilla, toda a galera do MPBJJ, sou muito grata por ter todos eles.. Cada um na sua guerra diária, todos humildes, todos irmãos.

9) Você tem patrocinadores ?
“Gilborg” : sobre parceiros, não é como eu gostaria e nem é suficiente … Mas é na dificuldade que vamos enfrentando a guerra, porquê não é fácil, mas graças a Deus, a Academia Energym cede o espaço para os treinos de boxe, fortalecimento, treinos técnicos, e também tenho livre acesso às máquinas. A Clínica Esthetic Barroso, da dona Daniele Barroso, que quando estou com luta marcada, me ajuda cedendo o espaço da clínica para perca de peso.

Não posso deixar de comentar sobre o Rei do Banner, uma empresa da minha cidade que sempre me ajuda na confecção das minhas camisas e também do designer DJ Mesquita, do Studio Master Mix, também da minha cidade de Benjamim Constant, que ajuda na arte.

Também não posso esquecer do Prefeito da minha cidade, o Sr. David Bermegui, cuja ajuda de custo é muito importante e que me ajuda a complementar os gastos da preparação para as competições.

O atleta necessita de suplementação, alimentação diferenciada, necessita de grana para o transporte, etc …
Nossa dedicação e despesas são grandes, mas o que o atleta recebe em troca ( o dinheiro da bolsa das lutas ) não supre nem a passagem da semana dos treinos. Quero dizer que nossa dedicação não é valorizada. Mais eu não desisto. Porque lutar é o que me motiva. Eu acredito muito que posso chegar mais longe … Eu treino com os melhores do Amazonas.

10) Você está com alguma luta de MMA marcada para o próximo ano ? Quais são os seus planos para o futuro ?
“Gilborg” : Eu estou com luta prevista para o final de Janeiro de 2020. Defesa do meu cinturão.
Meus planos para 2020 são lutar o ICC, um evento em Iquitos, no Peru, que já estamos em conversações e também o Shooto Brasil.
Mas claro, sempre na vontade de Deus, se estiver nos planos de Deus .. Chegaremos lá. Mantendo sempre o foco.
E claro … Continuar focada na faculdade. São os últimos períodos, os finais .. Logo estarei formada em Engenharia Civil.

*Entrevista concedida ao colaborador Oriosvaldo Costa em 23/11/2019 | Connection Japan

Gilsely Perêa ao lado do seu mestre Antonio Aleixo “Totonho”, faixa preta de Luta Livre, que acompanha a atleta desde o seu início nas competições. ( Créditos | Cortesia : Acervo pessoal Gilsely Perêa | Divulgação ).
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