Coréia do Sul renova acordo de inteligência com o Japão

Na sexta-feira, a Coréia do Sul tomou a decisão de última hora de manter seu acordo crítico de compartilhamento de inteligência com o Japão, uma reviravolta dramática após meses de relações frias complicadas por uma dolorosa história da guerra.

A decisão, anunciada pela Casa Azul presidencial da Coréia do Sul, foi acolhida por Washington. Os Estados Unidos pressionaram seus dois aliados asiáticos a abandonar sua disputa e manter o Acordo Geral de Segurança das Informações Militares (GSOMIA), visto como ponto crucial da cooperação trilateral de segurança.

“Essa decisão envia uma mensagem positiva de que aliados com idéias semelhantes podem trabalhar em disputas bilaterais”, disse uma porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

“Encorajamos (a Coréia do Sul) e o Japão a continuarem discussões sinceras para garantir uma solução duradoura para questões históricas”, disse ela, acrescentando que Washington acreditava firmemente que as questões de defesa e segurança deveriam ser mantidas separadas de outras áreas de seu relacionamento.

A retomada diplomática também tem implicações para o comércio. À medida que a disputa piorava este ano, o Japão restringiu as exportações de materiais usados ​​na fabricação de semicondutores, ameaçando a cadeia de fornecimento global de chips, um pilar da economia sul-coreana.

Seul decidiu suspender um aviso prévio ao Japão de que deixaria de compartilhar informações uma vez que o pacto atual se esgotasse à meia-noite de sexta-feira, disse Kim You-geun, vice-diretor do escritório de segurança nacional da Coréia do Sul, acrescentando que o fez na condição de contrato pode ser rescindido a qualquer momento.

“O Japão expressou seu entendimento”, disse Kim em uma entrevista poucas horas antes do término do acordo.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que a Coréia do Sul tomou uma “decisão estratégica” para manter o pacto e que as relações bilaterais são vitais.

As notícias da decisão rapidamente se destacaram nas reuniões de ministros das Relações Exteriores do Grupo dos 20 (G20), realizadas na cidade de Nagoya, no centro do Japão.

Em uma ação quase inédita, o ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, saiu brevemente de uma reunião bilateral com seu colega russo para se dirigir a repórteres.

“Meu entendimento é que o governo sul-coreano tomou essa decisão estratégica, dado o atual ambiente de segurança”, disse Motegi, acrescentando que se encontrará com o ministro das Relações Exteriores da Coréia durante o G20.

A ministra das Relações Exteriores da Coréia do Sul, Kang Kyung-wha, foi notável por sua ausência no G20. Sua participação não foi formalmente confirmada e ela só chegou a Nagoya na sexta-feira, depois que a decisão foi anunciada.

Com a notícia, os repórteres japoneses se afastaram de seus laptops no centro de mídia do G20 para se amontoarem em uma televisão.

Fonte: Reuters

Créditos da imagem: REUTERS/Toru Hanai

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