Canadense processa empresa japonesa por assédio por usar paternidade

Um pai canadense que alega ter sido intimidado e demitido por seu empregador japonês depois que ele tentou reivindicar uma licença de paternidade apareceu na quarta-feira em um tribunal de Tóquio para iniciar seu processo contra a empresa.

É o segundo caso de assédio por paternidade a ser ouvido no Japão nas últimas semanas, lançando um raro foco no assunto em um país que luta com uma das menores taxas de natalidade do mundo.

Glen Wood, 49 anos, morador do Japão há três décadas, trabalhava na corretora Mitsubishi UFJ Morgan Stanley Securities quando seu filho nasceu prematuramente em outubro de 2015.

Wood diz que solicitou licença de paternidade antes de seu filho nascer no Nepal, onde seu parceiro trabalhava, buscando exercer um direito garantido pela lei japonesa.

Mas, ele diz, a empresa se arrastou e até fez um teste de DNA para provar sua relação com o filho.

“Eu sabia que era uma espécie de empresa antiquada, mas ainda estava muito surpresa, mesmo quando era uma emergência e meu filho estava na UTI (unidade de terapia intensiva), por não me deixarem tirar licença por paternidade. , “ele disse à AFP antes da audiência quarta-feira.

“Acho que foi realmente considerado um ato de traição para um homem tirar uma licença de paternidade”, acrescentou.

Não foi até o dia de Natal de 2015 que ele recebeu aprovação para sair e ver seu filho.

Ele voltou ao trabalho em março de 2016 depois de levar seu bebê para o Japão, mas alega que foi subseqüentemente deixado de lado no trabalho, tratamento que, segundo ele, contribuiu para ele sofrer depressão e tirar seis meses de licença médica.

Quando ele voltou, a empresa o colocou em licença não remunerada antes de demiti-lo.

A Mitsubishi UFJ Morgan Stanley Securities negou qualquer assédio e disse que apóia os direitos dos funcionários de tirar a licença parental legalmente exigida.

Mas o caso, apresentado pela primeira vez em 2017, chega em um momento de grande interesse na questão do chamado patahara.

No mês passado, um tribunal de Tóquio realizou a primeira audiência no caso de um japonês processando a fabricante de roupas esportivas Asics por alegações de que ele foi efetivamente rebaixado depois de tirar uma licença de paternidade.

Por lei, o Japão oferece licença parental relativamente generosa. Ambos os pais podem tirar um ano de folga, com períodos adicionais renováveis ​​de seis meses, se um local de berçário não estiver disponível.

Mas apenas seis por cento dos pais têm licença parental, em comparação com mais de 80 por cento das mães que usam a mesada além das obrigatórias oito semanas após o nascimento.

A disparidade, dizem os ativistas, deve-se em parte à pressão dos empregadores e de uma sociedade que valoriza longas horas de trabalho.

Entre o pequeno número de homens no Japão que tiram licença de paternidade, mais de 70% estão ausentes por menos de duas semanas.

O governo japonês anunciou recentemente que espera aumentar a proporção de homens que tiram licença de paternidade para 13% até 2020.

Houve apenas um punhado de ações movidas no Japão por supostas vítimas de patahara, com juízes tendendo a favorecer os empregadores por causa da dificuldade em provar que maus tratos foram desencadeados por funcionários que se despediram, dizem advogados.

Fonte: AFP

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