Ar acima da Antártica tem rápido aumento de temperatura, quebrando recordes

Um fenômeno atmosférico raro fez com que o ar acima da Antártica ficasse muito mais quente do que o habitual, com cientistas registrando temperaturas recordes na estratosfera.

Eun-Pa Lim, do Bureau of Meteorology da Austrália, e colegas observaram que o ar acima da Antártica estava ficando mais quente no final de agosto. Nas semanas que se seguiram, esse aquecimento se intensificou, vendo as temperaturas chegarem até 35 graus Kelvin acima do normal.

O aquecimento foi o resultado do repentino aquecimento estratosférico – um fenômeno que ocorre regularmente no Hemisfério Norte, aproximadamente uma vez a cada um ou dois anos, disse Lim à Newsweek. No Hemisfério Sul, porém, é muito mais raro, tendo sido observado apenas uma vez antes, em 2002.

“No final de agosto ao início de setembro, estava cerca de 30 a 35 graus Kelvin mais quente do que o normal na estratosfera alta e média na região da calota polar antártica, que foi um aquecimento recorde para essa época do ano”, disse Lim. “Desde então, a magnitude do aquecimento anômalo reduziu em cerca de 15 graus Kelvin na estratosfera média a baixa”.

Todo inverno, ventos velozes do oeste se desenvolvem na estratosfera – a segunda camada na atmosfera da Terra que fica acima da troposfera. Essa camada se estende por cerca de 50 quilômetros de altura, com a camada de ozônio dentro dela. Esses ventos, que podem chegar a 240 quilômetros por hora, se desenvolvem devido às diferenças de temperatura entre o Polo Sul, onde não há luz solar, e o oceano, que ainda recebe luz solar.

“À medida que o sol se desloca para o sul durante a primavera, a região polar começa a esquentar. Esse aquecimento faz com que o vórtice estratosférico e os ventos ocidentais associados enfraquecem gradualmente ao longo de alguns meses”, disse Lim. Alguns anos, isso acontece mais rápido do que o normal, com o ar da atmosfera mais baixa aquecendo a estratosfera, causando o enfraquecimento dos ventos. “Raramente, se as ondas forem fortes o suficiente, elas podem quebrar rapidamente o vórtice polar, invertendo a direção dos ventos e tornando-se mais a leste. Esta é a definição técnica de ‘aquecimento estratosférico repentino'”.

O aquecimento estratosférico repentino é o resultado de variações naturais na atmosfera, disse ela, acrescentando que parece que esse evento é resultado de variabilidade aleatória. Lim acrescentou que ela e a equipe agora planejam analisar o que aconteceu com o aquecimento, a fim de entender melhor os mecanismos físicos da relação entre a estratosfera e a troposfera.

“O evento atual começou com um aquecimento muito rápido e forte, mas o aquecimento foi mantido na estratosfera e ainda não afetou a atmosfera mais baixa, o que é muito incomum”, disse ela.

Espera-se que o repentino aquecimento estratosférico traga ventos quentes e secos sobre a Austrália nos próximos três meses, dizem os pesquisadores. Em um estudo publicado na Nature Geoscience, a equipe colocou as temperaturas crescentes em um modelo que fornece previsões para o Hemisfério Sul. As descobertas mostraram que a Austrália provavelmente terá menos chuva e temperaturas mais quentes na primavera, aumentando potencialmente o risco de incêndios florestais.

“Isso tem grandes implicações para a previsibilidade do clima extremo na Austrália, bem como possivelmente em outras regiões do hemisfério sul”, disse a coautora do estudo Ghyslaine Boschat, da Universidade Monash da Austrália, em comunicado.

Fonte: Newsweek

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