Líderes indígenas brasileiros denunciam Bolsonaro antes do discurso da ONU

Os líderes indígenas no Brasil denunciaram as políticas “colonialistas e etnocidas” de Jair Bolsonaro quando o populista de extrema direita se dirigiu a Nova York para defender seu tratamento da Amazônia e de seus habitantes.

Bolsonaro deve fazer o discurso de abertura na assembléia geral da ONU na terça-feira de manhã, depois de algumas semanas miseráveis ​​da reputação internacional do Brasil, em que relatos de crescente desmatamento e sua resposta aos incêndios na Amazônia consolidaram sua reputação de “Capitão Motosserra” da América do Sul.

O presidente do Brasil deve usar sua estréia na ONU para lançar um ataque Trumpiano à esquerda e recuar contra as críticas estrangeiras ao seu tratamento ao meio ambiente e às comunidades indígenas do Brasil. Ele recrutou uma rara voz indígena pró-Bolsonaro, Ysani Kalapalo, para viajar com ele para Nova York, em um esforço para amenizar sua notoriedade como destruidor de florestas tropicais.

Mas, em uma carta aberta com palavras fortes, 16 líderes indígenas do parque indígena do Xingu do Brasil rejeitaram o programa “colonialista e etnocida” de Bolsonaro para suas comunidades, que ele prometeu abrir para exploração comercial.

Os líderes alegaram que o único interesse de Kalapalo – que gravou um vídeo recente negando que Bolsonaro fosse o culpado pelos incêndios na Amazônia – era “insultar e desmoralizar os líderes e movimentos indígenas do Brasil” nas mídias sociais.

“Não contente com seus ataques aos povos indígenas, o governo brasileiro agora procura legitimar suas políticas anti-indígenas usando uma figura indígena que simpatize com suas ideologias radicais”, acrescentaram.

O líder mais conhecido do Xingu, Raoni Metuktire, acusou Bolsonaro de não fazer nada para impedir que fazendeiros invadissem terras indígenas.

A aparição de Bolsonaro na ONU representará o culminar de uma campanha de propaganda do governo projetada para reparar a imagem global do Brasil e afastar a ameaça de sanções econômicas.

“Não somos vilões do meio ambiente”, insistiu o ministro do meio ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles, durante uma entrevista em Nova York.

Mas os observadores aguardam o discurso de Bolsonaro – que um comentarista esperava focar nas questões de “soberania, liberalismo, comunismo / esquerda, cristianismo e Amazônia” – com considerável apreensão.

Em janeiro, a estréia internacional incomumente breve de Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial em Davos foi amplamente criticada e foi ofuscada por um escândalo de bola de neve ligando um de seus filhos políticos a gângsteres do Rio.

Ao escrever no jornal O Globo do Rio, o ex-chefe do serviço de relações exteriores do Brasil, Marcos Azambuja, se preocupou com o fato de o discurso de Bolsonaro mostrar um novo visual que chocou o mundo: um lugar de sectarismo estreito, zelo religioso e diplomacia ingênua e imprudente.

Fonte: Guardian

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