Bolsonaro se opõe a reforma econômica de Guedes

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro telefonou para o ministro da Economia Paulo Guedes do hospital nesta semana para expressar sua oposição à criação de um novo imposto sobre transações financeiras, o “CPMF”, disse Guedes na sexta-feira.

Em uma ampla entrevista com jornalistas estrangeiros no Rio de Janeiro, no entanto, Guedes novamente defendeu a idéia, dizendo que os impostos sobre transações permitiriam reduções em outras taxas, como imposto de renda e imposto sobre valor agregado.

Guedes também disse que as reformas econômicas do governo podem ajudar a economia a crescer 2,5% no próximo ano, as privatizações neste ano atingirão a meta de 80 bilhões de reais (US $ 20 bilhões) e o processo de venda de ativos será acelerado no próximo ano.

A implementação de uma nova versão do impopular imposto da CPMF, que foi abolido em 2007, emergiu nas últimas semanas como o elemento central e mais controverso dos ambiciosos planos do governo de reformar o complexo sistema tributário do país.

Um funcionário importante do ministério da economia envolvido na redação das propostas foi demitido nesta semana por causa da questão. Na sexta-feira, Guedes repetiu seu apoio à idéia, mas reconheceu que o presidente não a apoia.

“Estávamos no processo de modelar um imposto sobre transações financeiras, mas o presidente sempre foi contra e pediu para não fazê-lo”, disse Guedes à imprensa estrangeira no Rio de Janeiro, acrescentando que Bolsonaro ligou do hospital de São Paulo, de onde está se recuperando. uma operação de hérnia.

Guedes confirmou que ele e sua equipe estavam trabalhando com uma taxa de CPMF de 0,4% nas transações. Mas, parecendo irritado, ele disse que os números não deveriam ter sido divulgados, uma referência à demissão do secretário especial de receita federal Marcos Cintra nesta semana.

Guedes disse que o esforço de reforma tributária incluirá um novo “imposto sobre valor agregado” no nível federal, no qual estados e municípios podem optar, e disse que ele e Bolsonaro estavam “100%” juntos na necessidade de manter a regra do teto de gastos do governo, que limita os aumentos de gastos públicos à taxa de inflação.

Fonte: Reuters