Enguia elétrica mais poderosa do mundo encontrada na Amazônia

A pesquisa de DNA revelou duas espécies inteiramente novas de enguia elétrica na bacia amazônica, incluindo uma capaz de causar um choque mortal.

Os resultados são evidências, dizem os pesquisadores, da incrível diversidade na floresta amazônica – grande parte ainda desconhecida pela ciência – e ilustram por que é tão importante proteger um habitat em risco de desmatamento, extração de madeira e incêndios.

“Apesar de todo o impacto humano na floresta amazônica nos últimos 50 anos, ainda podemos descobrir peixes gigantes como as duas novas espécies de enguias elétricas”, disse o pesquisador principal C David de Santana, zoólogo que trabalha no Museu Nacional Smithsonian de História Natural.

A pesquisa “indica que uma enorme quantidade de espécies está esperando para ser descoberta na floresta amazônica, muitas das quais podem abrigar curas para doenças ou inspirar inovações tecnológicas”, disse ele.

A enguia elétrica, que é um tipo de peixe e não uma enguia, inspirou o design da primeira bateria elétrica.

Durante séculos, acreditava-se que existia uma única espécie em toda a região conhecida como Grande Amazônia, abrangendo partes de países como Brasil, Suriname e Guiana.

Mas como parte de um projeto para entender melhor as enguias elétricas e mapear a vida selvagem em partes remotas da América do Sul, Santana e sua equipe decidiram testar essa teoria.

À primeira vista, eles encontraram pouca diferença visível entre as criaturas coletadas em diferentes partes da bacia amazônica, sugerindo que os peixes faziam parte de uma única espécie.

Porém, análises adicionais, incluindo o DNA de 107 amostras coletadas, derrubaram séculos de suposições e revelaram três espécies: o anteriormente conhecido Electrophorus electricus, junto com o Electrophorus voltai e o Electrophorus varii.

E suas pesquisas também descobriram outro resultado impressionante: a E. voltai é capaz de fornecer um choque de 860 volts – muito mais do que os 650 volts registrados anteriormente nas enguias elétricas – “tornando-o o mais forte gerador de bioeletricidade conhecido”.

As descobertas, publicadas na terça-feira na revista Nature Communications, teorizam que as três espécies evoluíram de um ancestral compartilhado há milhões de anos.

Os pesquisadores descobriram que cada uma das três espécies tinha um habitat claramente definido, com E. electricus vivendo na região do Escudo da Guiana, E. voltai no Escudo Brasileiro, um planalto mais ao sul, e E. varii habitando as águas da bacia amazônica de fluxo lento.

E eles sugerem que o choque elétrico particularmente forte que a E. voltai pode produzir poderia ser uma adaptação à vida nas águas das montanhas, onde a condutividade é reduzida.

As enguias elétricas usam suas táticas de choque por vários motivos, incluindo caça de presas, autodefesa e navegação. Eles geram eletricidade a partir de três órgãos elétricos especializados que podem emitir cargas de diferentes forças para diferentes fins.

Mas a descoberta das novas espécies levanta a possibilidade de que diferentes tipos de enguias possam ter desenvolvido maneiras diferentes de gerar eletricidade, talvez mais adequadas aos seus diversos ambientes.

“A fisiologia da enguia elétrica inspirou o design da primeira bateria elétrica de Volta, forneceu uma base … para o tratamento de doenças neurodegenerativas e recentemente promoveu o avanço das baterias de hidrogel que poderiam ser usadas para alimentar implantes médicos”, disse Santana.

Fonte: Guardian

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