Amazônia enfrenta seu maior nível de desmatamento

O desmatamento na porção brasileira da floresta amazônica aumentou mais de 88% em junho em comparação com o mesmo mês do ano passado, o segundo mês consecutivo de aumento da destruição florestal sob o presidente de direita Jair Bolsonaro.

De acordo com dados da agência espacial brasileira, o desmatamento na maior floresta tropical do mundo totalizou 920 quilômetros quadrados.

Os dados que mostram o aumento de 88,4% no desmatamento são preliminares, mas indicam que o número anual oficial, baseado em imagens mais detalhadas e medido para os 12 meses até o final de julho, está a caminho de superar o valor do ano passado.

Nos primeiros 11 meses, o desmatamento já atingiu 4.565 km2, um aumento de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Ambientalistas alertaram que o forte apoio de Bolsonaro ao desenvolvimento na Amazônia e as críticas à agência de fiscalização ambiental do país por distribuir multas demais encorajariam os madeireiros e fazendeiros que buscam lucrar com o desmatamento.

“Bolsonaro agravou a situação”, disse Paulo Barreto, pesquisador da organização não-governamental brasileira Imazon.

O aumento do desmatamento ocorre quando o Brasil enfrenta mais pressão para proteger seu meio ambiente sob os termos do acordo de livre comércio entre a União Européia eo bloco sul-americano que o Mercosul aceitou na semana passada.

A estação chuvosa até abril parece ter provocado um aumento no desmatamento que veio com a estação seca a partir de maio.

O desmatamento aumentou 34% em maio em comparação com o mesmo mês do ano passado.

O gabinete de Bolsonaro se recusou a comentar, dizendo que as questões seriam abordadas pelo Ministério do Meio Ambiente. “Estamos adotando todas as medidas para combater o desmatamento ilegal”, afirmou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

O Brasil abriga 60% da Amazônia, que é a maior floresta tropical do mundo e é vista como vital para a luta global contra as mudanças climáticas.

Embora o texto final do acordo UE-Mercosul não tenha sido divulgado, um esboço da UE afirma que o acordo inclui uma disposição de que o acordo de Paris sobre mudança climática deve ser efetivamente implementado junto com outros compromissos para combater o desmatamento.

O presidente francês, Emmanuel Macron, havia avisado na semana passada antes do acordo sobre o acordo que ele não assinaria se o Brasil deixasse o acordo de Paris.

Paulo Adario, estrategista florestal do Greenpeace, disse que “todas as indicações” são de que o desmatamento vai piorar com Bolsonaro, mas ele espera que as notícias de um grande aumento pressionem o governo a tomar medidas.

“Quando eles têm os números finais, se é realmente muito, isso será um pesadelo para Bolsonaro”, disse Adario. “Isso é algo realmente importante do ponto de vista internacional e brasileiro, porque a Amazônia é um ícone.”

Fonte: Guardian

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