O ex-presidente da Funai, Franklimberg de Freitas, culpou sua demissão por pressão do poderoso lobby do agronegócio no Brasil. Foto: Ueslei Marcelino / Reuters

O presidente da extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro, está sendo assessorado por políticos que “odeiam os povos indígenas”, disse o chefe da agência de assuntos indígenas do Brasil aos colegas depois de ter sido demitido de seu cargo.

Franklimberg de Freitas entrevistou cerca de 100 funcionários da agência Funai após sua demissão na terça-feira, e culpou a pressão do poderoso lobby do agronegócio do país, que há muito procura desmatar as vastas reservas indígenas da Amazônia.

O episódio é o mais recente confronto na batalha pelos direitos indígenas sob Bolsonaro, que prometeu que “não mais um centímetro” de terras seria destinado a indígenas e que desmontou o poder da Funai em seu primeiro dia no poder.

“O presidente é muito mal aconselhado quando se trata de política indígena neste país”, disse Freitas em seu discurso, relatado pelo jornal Folha de S.Paulo. Ele destacou um alto funcionário do Ministério da Agricultura, Nabhan Garcia, que é o presidente de um lobby do agronegócio.

Ele acrescenta que a Funai é vista como “um obstáculo ao desenvolvimento nacional” no governo de Bolsonaro.

Isso marcou a segunda vez que Freitas foi forçado a sair da Funai: em abril de 2018, o general aposentado do Exército foi demitido pelo governo anterior de Michel Temer, após pressão de um lobby do agronegócio que o considerava muito simpático às tribos indígenas.

Em janeiro, ele retornou à agência responsável por cerca de 900 mil indígenas e reservas que representam 13% do território brasileiro.

Nesta semana, a associação de funcionários da Funai emitiu uma carta a Bolsonaro expressando preocupação com “o término sufocante da gestão da administração indígena”.

Horas depois de Bolsonaro tomar posse, em janeiro, ele assinou uma ordem executiva que despojava a agência do poder de alocar o território indígena. Essa responsabilidade foi passada ao ministério da agricultura, que, segundo os especialistas, deteria as demarcações.

O Congresso votou para desfazer as ações do presidente em maio.

“A Funai vive sob ataque”, disse um funcionário da Funai ao Guardian, sob condição de anonimato. “Bolsonaro deixou claro o que ele quer para os povos indígenas … Todo mundo está com medo, mas estamos acostumados com isso – sabíamos que não seria fácil para nós”.

Fonte: Guardian| Folha de S. Paulo

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