Um médico verifica a pressão arterial. A pesquisa poderia levar a um melhor tratamento para pacientes com risco de ataques cardíacos ou derrames. Foto: Anthony Devlin / PA

Mistério de por que as artérias endurecem pode ter sido resolvido, dizem cientistas

O misterioso mecanismo por trás do endurecimento das artérias pode ter sido resolvido, revelaram os pesquisadores, em um estudo que também sugere o primeiro potencial medicamento preventivo para a doença ligada ao ataque cardíaco, demência e derrame.

As artérias endurecem à medida que o cálcio se deposita nas paredes elásticas dos vasos, um processo que ocorre à medida que envelhecemos e é exacerbado em pacientes com diabetes ou doença renal. O enrijecimento também pode ocorrer quando o cálcio é depositado em placas de gordura nas artérias – uma condição chamada aterosclerose.

O mecanismo que causa tem sido difícil de desfazer, mas agora os cientistas dizem ter a resposta: é acionado por uma molécula, chamada poli (ADP-Ribose) ou PAR, que é produzida quando as células, ou o DNA dentro delas, estão danificados.

Isso, dizem eles, faz sentido: o envelhecimento, a pressão alta, o tabagismo e as placas de gordura são fatores de risco para o enrijecimento das artérias e estão ligados a danos às células ou até mesmo ao seu DNA.

A equipe diz que a nova descoberta pode ser importante para os pacientes.

“Se [o processo de calcificação] é conduzido por células, significa que você pode realmente tratá-lo”, disse Cathy Shanahan, professora de sinalização celular e coautora do estudo do King’s College London.

Escrevendo na revista Cell Reports, a equipe descreve uma série de experimentos envolvendo tecidos ósseos formadores de células de ovinos e vasos sanguíneos de vacas, bem como artérias humanas.

Os resultados revelam que onde o PAR é encontrado em altos níveis fora das células, também são encontrados depósitos de cálcio. Além disso, essas áreas foram consideradas ricas em marcadores de morte celular ou células com danos no DNA.

Eles também descobriram que o PAR se liga ao cálcio, bem como a certas proteínas encontradas entre as células nas paredes das artérias e nos tecidos que formam o osso.

Como resultado, a equipe propõe que o PAR, que já foi ligado ao reparo do DNA e morte celular, desempenha um papel fundamental não apenas na formação óssea, mas no endurecimento das artérias.

Crucialmente, outras experiências, incluindo em ratos, mostraram que, se uma enzima envolvida na produção de PAR é bloqueada, o cálcio não é mais depositado nas artérias, mesmo quando o DNA é danificado. Eles também descobriram que um antibiótico existente usado para acne, chamado minociclina, pode fazer o trabalho.

“As pessoas estudam isso há décadas e esta é a primeira terapia potencial de sempre”, disse a professora Melinda Duer, co-autora do estudo da Universidade de Cambridge.

No entanto, a equipe diz que, embora ofereça a esperança de que o endurecimento da artéria possa ser evitado em alguns grupos de risco, ainda restam dúvidas.

Duer salientou que os indivíduos devem continuar a evitar hábitos de vida que possam contribuir para o enrijecimento das artérias, incluindo o tabagismo e dietas pobres.

Shanahan concordou. “O que não sabemos é se isso vai funcionar em pessoas que já têm muita calcificação”, disse ela.

Paul Evans, professor de ciência cardiovascular da Universidade de Sheffield, disse que drogas como minociclina que desligam a produção de PAR podem um dia ajudar pacientes com doença arterial.

“Há um interesse considerável no desenvolvimento de inibidores de PAR para o câncer e outras doenças”, disse ele. “É possível que alguns desses medicamentos possam beneficiar pacientes com doença cardiovascular, diminuindo os sintomas de angina e reduzindo a probabilidade de ataque cardíaco ou derrame”.

Guardian

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