Huawei paralisa produção de celulares

A guerra comercial entre China e Estados Unidos já começou a mostrar seus efeitos na empresa de tecnologia chinesa Huawei. Temendo queda nas vendas nos próximos trimestres, a empresa paralisou parte da produção, segundo o jornal chinês South China Morning Post.

O jornal aponta que o corte foi verificado na Foxconn, uma fabricante de eletrônicos de Taiwan e que é fornecedora da Huawei.

Citando várias “pessoas próximas ao assunto”, o jornal chinês afirmou que a Foxconn teria verificado uma redução nos pedidos da Huawei em “várias linhas de produção”. Não está claro se a pausa é temporária ou permanente.

A Huawei foi particularmente afetada pela intensificação da guerra comercial sino-americana depois que o presidente americano, Donald Trump, colocou a companhia chinesa em uma “lista proibida”.

Isso fez com que a americana Alphabet, dona do Google, que fabrica o sistema operacional Android usado nos celulares da Huawei, afirmasse que precisaria parar de oferecer o sistema para a empresa. A data limite é 19 de agosto, após uma extensão do prazo concedida pelo governo americano.

Se nada mudar até agosto, o bloqueio fará com que os celulares Huawei parem de receber atualizações e sejam proibidos de usar aplicativos do Google, como o Gmail, o Waze e a loja de aplicativos Play Store, onde a maioria dos apps de outras empresas está disponível.

Um representante da Huawei já havia afirmado a jornalistas na semana passada que a empresa vai reavaliar os objetivos deste ano. A expectativa da empresa para 2019 era tornar-se a maior fabricante de smartphones do mundo.

“Como uma nova situação apareceu, é muito cedo para dizer se seremos capazes de alcançar esse objetivo”, disse Zhao Ming, presidente da Honor, uma marca da Huawei voltada a consumidores mais jovens.

No primeiro trimestre de 2019, a Huawei já havia passado a americana Apple, fabricante dos iPhones, e se tornado a segunda maior fabricante, atrás somente da sul-coreana Samsung. Agora, mesmo a vice-liderança pode estar ameaçada.

A Huawei já havia sido proibida de vender nos Estados Unidos e de comprar componentes americanos sem aprovação especial. Mas o bloqueio do Google é um dos principais problemas da empresa chinesa no momento.

A ausência do Android prejudicaria sobretudo usuários da Huawei fora da China. O maior grupo é Europa, África e Oriente Médio (contabilizados juntos), que representaram 28% do faturamento da empresa em 2018, seguido por 11% de Ásia e Pacífico (excluindo a China) e 7% das Américas (com exceção dos EUA, onde a Huawei não pode vender), além de 2% de outros lugares.

Na China, onde está 52% do faturamento da Huawei, a empresa terá mais facilidade para emplacar um possível sistema operacional próprio, que afirmou já estar desenvolvendo para se defender do possível fim do Android.

Serviços de empresas ocidentais são majoritariamente proibidos na China e os usuários chineses já usam aplicativos e serviços de e-mail oferecidos por empresas chinesas, como a Tencent.

Além do Google, a Huawei também terá problemas fornecedoras de chips americanas, como Intel, Qualcomm, Xilinx e Broadcom, que também vão parar de fornecer produtos à empresa.

Fonte: Exame

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