Indústria eletrônica teve dificuldades na era Heisei

Nas três décadas da era Heisei, as principais empresas de eletrônicos japonesas, os principais da indústria japonesa, foram derrotadas na competição global em muitos campos, incluindo semicondutores, TVs, telefones celulares e computadores.

Nobuyuki Idei

Que lições a era Heisei deixou para a indústria eletrônica e quais desafios estão surgindo no futuro? Nobuyuki Idei, ex-diretor executivo da Sony Corp., e Yasuo Naruke, presidente da Toshiba Memory Corp., tentam responder a questão.

Para os fabricantes de eletrônicos no Japão, a era Heisei representou 30 anos de dificuldades. Foi uma situação de grande sucesso para o Japão durante a primeira metade dos anos 80, quando a indústria de semicondutores estava prosperando, mas o iene subiu depois do Plaza Accord de 1985, e a indústria manufatureira do Japão foi abalada pela concorrência internacional. Nos anos 90, todas as empresas japonesas conseguiram pagar a dívida remanescente após o colapso da economia da bolha.

Em nível global, a Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética chegou ao fim, e a revolução da tecnologia da informação estava prestes a começar. Em 1993, antes de vir a servir como presidente da Sony, ouvi o então vice-presidente americano Al Gore discursar sobre o conceito de “supervia da informação”. Ele enfatizou que todos os computadores seriam conectados via linhas de comunicação de alta velocidade e que o foco seria em finanças e comércio eletrônico. Senti-me extremamente ansioso por perder a oportunidade de me juntar à sociedade da Internet.

Yasuo Naruke

No entanto, o Japão não percebeu a importância da TI. Apesar das rápidas mudanças que aconteceram na mudança do mundo analógico para o mundo digital, não conseguimos mudar o país do estilo tradicional de manufatura.

O GAFA – Google, Apple, Facebook e Amazon – surgiu nos Estados Unidos, enquanto o mesmo aconteceu com a BAT – Baidu, Alibaba e Tencent – na China. Enquanto isso, no Japão, nada. O país perdeu completamente o barco em termos da mudança das exportações de bens para a TI.

Até a década de 1990, as ideias eram sobre objetos concretos, mas a partir dos anos 2000 isso mudou. O iPhone é simbólico disso. No Japão, os fabricantes eram como subcontratados, apenas capazes de fabricar produtos baseados em especificações decididas por empresas de telecomunicações. Eles não foram capazes de inovar, mesmo que quisessem.

Como novas tecnologias, como inteligência artificial e blockchain, são necessárias na nova era, podemos esperar que empresas iniciantes surjam uma após a outra. Queremos criar um ambiente no qual as start-ups possam crescer. Nesse contexto, mesmo as grandes empresas precisam mudar para sobreviver.

Fonte: Yomiuri Shimbun