Senado derruba declaração de emergência de Trump e o desafia a usar poder de veto

O Senado dos Estados Unidos aprovou na quinta-feira uma proposta para acabar com a controvertida declaração de emergência nacional na fronteira sul, levada a cabo por Donald Trump em 15 de fevereiro para poder construir seu muro na divisa com o México, que o Congresso se recusa a financiar.

A votação esmagadora da Câmara Alta, de maioria republicana, é um verdadeiro desafio ao presidente, que anunciou na manhã de quinta-feira que está disposto a exercer seu direito de veto para levar adiante sua polêmica medida. Seria a primeira vez que Trump usa essa competência, um recurso excepcional no processo legislativo, corrigindo os legisladores de seu próprio partido.

Doze senadores republicanos, muitos mais do que os previstos (falava-se de meia-dúzia) e necessários numa câmara em que o partido ocupa 53 das 100 cadeiras, decidiram desobedecer ao presidente e apoiar a medida aprovada em fevereiro pela Câmara dos Representantes, de maioria democrata, para tentar derrubar a mais do que questionável emergência nacional (que também está sendo combatida, em paralelo, perante os tribunais).

Os republicanos rebeldes temem que a declaração de emergência de Trump estabeleça um perigoso precedente ao qual poderiam recorrer futuros presidentes democratas, em questões como a mudança climática, para burlar a divisão de poderes, princípio que leva a Constituição a entregar ao Poder Legislativo a competência de aprovar as despesas.

Mas se Trump confirmar suas intenções, a rejeição da declaração de emergência dificilmente adquiriria a condição de lei, uma vez que uma maioria de dois terços no Congresso (oito senadores rebeldes mais) é necessária para derrubar um veto presidencial.

Senado indeciso

Ainda que o Congresso não consiga revogar a declaração de emergência se o presidente recorrer ao veto, o voto do Senado, pouco propenso até agora a contrariar o presidente, é um embaraçoso revés para Trump infligido por suas próprias fileiras republicanas.

Representa uma rebelião sem precedentes em seus dois anos de mandato que acontece, ademais, um dia depois de que o mesmo Senado votou, contra os desejos do presidente, para acabar com o apoio dos EUA à guerra da Arábia Saudita, no Iêmen.

Muro polêmico

O que está em jogo são bilhões de dólares que Trump reclama para construir o muro na fronteira com o México, que talvez seja sua principal promessa eleitoral. O Congresso, dada a nova maioria democrata na Câmara Baixa, se recusou a aprovar esse gasto para uma medida que considera ineficiente, se não diretamente “imoral”, como descreveu a presidenta da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi.

O desacordo levou a um fechamento parcial da Administração, durante 35 dias, o mais longo da história do país, que terminou em janeiro quando Trump recuou. Mas em 15 de fevereiro o presidente assinou uma declaração de emergência nacional, que lhe permitiria desviar dinheiro de outros programas federais sem o consentimento do Congresso, para levantar o muro que diz ser necessário para deter um suposto fluxo descontrolado de imigrantes ilegais, drogas e criminosos.

Os dados não corroboram a posição do presidente: o número de imigrantes ilegais detidos na fronteira é o menor em quatro décadas e a imensa maioria da droga entra no país escondida pelos postos de fronteira ou mediante outros mecanismos, como túneis escavados sob a fronteira, que o muro de Trump não impediria.

Mas a mudança no perfil típico dos imigrantes que atravessam a fronteira, que passou de indivíduos sozinhos vindos do México para famílias inteiras de origem centro-americana que pedem asilo, causou a saturação de alguns centros de detenção na fronteira, para a qual contribuíram algumas políticas da Administração Trump que complicam os pedidos de asilo.

Fonte: El Pais| Reuters

Anúncios

Leandro | レアンドロ・フェレイラ

Webmaster, programador, desenvolvedor e editor de artigos.

Deixe uma resposta