EUA pressionam na ONU para que Maduro renuncie de maneira pacífica

A crise humanitária se agrava na Venezuela à medida que crescem a tensão e a violência.

Perante esta trágica situação, os países europeus do Conselho de Segurança das Nações Unidas e os representantes do Grupo de Lima fizeram um apelo à contenção, a que se evite o recurso à força letal e, especificamente a Caracas, que autorize o acesso da assistência. Do mesmo modo, condenaram a intimidação de civis e deputados que estão se mobilizando para distribuir a ajuda humanitária.

“Urge buscar uma solução política inclusiva e pacífica”, leram os sócios europeus em nota. “O país precisa de um Governo que represente a vontade do povo.” Elliott Abrams, enviado especial dos Estados Unidos para a Venezuela, denunciou por sua vez que o ocorrido no último fim de semana demonstra quais são os interesses e intenções do regime “corrupto” de Nicolás Maduro.

“Usa-se a ajuda humanitária como arma política”, insistiu. “Quanto mais tempo estiver no poder, mais vai oprimir ao povo. A solução para a miséria e a tirania é que haja eleições livres”, advertiu, insistindo por isso na importância de que a comunidade internacional “pressione para que o regime de Maduro abdique de maneira pacífica”. Também mostrou sua preocupação com a segurança do presidente interino reconhecido pelo Parlamento, o líder opositor Juan Guaidó.

A reunião do Conselho de Segurança foi convocada a pedido dos EUA em resposta à escalada da violência durante o fim de semana, e com o vice-presidente Mike Pence viajando à Colômbia para se reunir com Guaidó. Cerca de 50 países apoiam que ele seja reconhecido como presidente interino, incluindo EUA, França e Reino Unido, que têm poder de veto no Conselho de Segurança.

A Rússia, porém, continua respaldando Maduro, e seu embaixador qualificou o líder da Assembleia Nacional venezuelana como “impostor”. Desta vez não tentou manobras para evitar a reunião do Conselho sobre esse tema, mas voltou a criticar as táticas dos EUA e as contínuas ameaças de uso da força. As duas potências elaboraram rascunhos rivais de resolução.

Washington busca que a ONU seja o ponto de partida de um processo que leve a eleições presidenciais “livres, justas e confiáveis” com a presença de observadores militares na Venezuela. Moscou considera isso uma tentativa de intervenção para mudar o regime. “O Exército venezuelano está protegendo sua fronteira para garantir sua inviolabilidade”, reiterou o representante russo.

O ministro venezuelano das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, acusou os EUA de “organizarem, financiarem e liderarem uma agressão” contra seu país. Ele falou de movimentação de tropas no Caribe e compras de armas para opositores. E também negou que seu Exército tenha recorrido à força letal. “A agressão veio da Colômbia”, declarou em seu discurso enquanto mostrava fotos de caminhões incendiados. “Que hipocrisia”, disse.

“O Conselho de Segurança não existe para criar as condições para que outros façam a guerra”, concluiu Arreaza, que pediu uma resolução que exclua especificamente o uso da força, como pede o presidente Donald Trump, o vice-presidente Pence e o chefe de Segurança Nacional, John Bolton. “Leiam meus lábios”, ele acrescentou, “o golpe fracassou”. “Os EUA prepararam uma tragédia, e tudo deu errado.”

Fonte: EL Pais

Leandro | レアンドロ・フェレイラ

Webmaster, programador, desenvolvedor e editor de artigos.

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