Barragem da Vale se rompe em MG; 200 estão desaparecidos, dizem bombeiros

Uma barragem da mineradora Vale se rompeu e outras duas transbordaram na manhã desta sexta-feira (25) em Brumadinho, cidade da Grande Belo Horizonte. Os rejeitos atingiram uma área administrativa da empresa, onde havia funcionários, além da comunidade Vila Ferteco. Em nota, a Vale não descarta que pode haver vítimas, mas ainda não há informações sobre mortos. Segundo os Bombeiros, há 200 desaparecidos.

Uma quarta barragem, que não tem rejeitos, mas água, é monitorada. Até agora, 13 milhões de metros cúbicos de rejeitos foram liberados no córrego da região.

“Lamento o ocorrido em Brumadinho-MG. Determinei o deslocamento dos Ministros do Desenvolvimento Regional e Minas e Energia, bem como nosso Secretario Nacional de Defesa Civil para a Região”, escreveu o presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, está a caminho do local.

Segundo moradores da região, a área atingida tem em torno de 1.000 moradores. Só uma dessas barragens, que fica no Córrego do Feijão, tinha volume de 12,7 milhão de m³ de rejeito de mineração. A título de comparação, o volume da barragem de Fundão, cujo rompimento provocou a tragédia de Mariana, era de 50 milhões de m³.

Museu Inhotim

O tesouro visual -com valor estimado em R$ 5,7 bilhões- reunido em Inhotim não sofreu nenhum arranhão com o rompimento da barragem da Vale, e pareceria indelicado falar de arte numa hora em que mais de 200 pessoas estão desaparecidas.

Mas é sintomático que o impacto ambiental da mineração, assunto de muitas das obras no acervo do museu, agora cause tanto estrago nos seus arredores, um perigo que bate à porta e interdita o escapismo lúdico daquelas peças -por precaução, o museu foi esvaziado às pressas depois do incidente com a barragem.

Barragem foi vistoriada no dia 10 e foi considerada estável, diz presidente da Vale

O presidente da Vale, Fábio Schvartsman, afirmou que a empresa não sabe ainda o que levou ao rompimento da barragem de Brumadinho (MG), mas garantiu que a última vistoria no local, que atestou sua segurança, ocorreu no último dia 10. Um laudo produzido por uma empresa alemã, segundo ele, também teria atestado a estabilidade da barragem em setembro passado.

A barragem que se rompeu tinha um volume de 12 milhões de metros cúbicos de rejeito no seu interior. Ainda de acordo com Schvartsman, a empresa já não depositava novos rejeitos na barragem, que estava há três anos em processo de desativação.

A estrutura que se rompeu fica no Complexo de Paraopebas, que tem quatro minas, duas usinas de beneficiamento de minério, uma jazida ainda inexplorada e três barragens. A barragem ora rompida foi adquirida nos anos 2000 de uma mineradora chamada Ferteco.

Três anos e meio após Mariana

O caso de Brumadinho acontece três anos e dois meses após o rompimento de uma barragem da Samarco em um distrito de Mariana, também em Minas Gerais.

A Vale é uma das controladoras da Samarco. Dezenove pessoas morreram na ocasião e milhares perderam as casas em função do vazamento de 40 bilhões de litros de lama.

Segundo o site da mineradora Vale, a barragem principal que rompeu nesta sexta-feira tinha capacidade de 12,7 milhões de metros cúbicos. Para efeito de comparação, a barragem da Samarco, operada pela Vale com a australiana BHP, tinha 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos.

Fonte: Folha | Uol

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Leandro | レアンドロ・フェレイラ

Webmaster, programador, desenvolvedor e editor de artigos.

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