Bolsonaro irrita militares ao querer base dos EUA no Brasil

Os comentários do novo presidente de extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro, de que ele estaria aberto aos Estados Unidos, operando uma base militar em solo brasileiro, não foram bem recebidos pelas forças armadas do país, disse um oficial do Exército à Reuters no sábado.

Bolsonaro, que assumiu o cargo em 1º de janeiro, disse em uma entrevista na quinta-feira que poderia estar disposto a permitir uma base americana no Brasil como forma de combater a influência russa na Venezuela, uma mudança que marcaria uma forte mudança na direção da política estrangeira do Brasil.

O exército brasileiro é contra uma base dos EUA no país, disse o oficial, falando sob condição de anonimato porque ele não foi autorizado a discutir o assunto publicamente.

Acrescentou que a possibilidade de ceder território para uma base surpreendeu os oficiais militares brasileiros, tradicionalmente zelosos guardiões da soberania nacional.

Pompeo disse a repórteres na quarta-feira que os Estados Unidos e o Brasil tiveram “uma oportunidade de trabalhar lado a lado contra regimes autoritários” na região, citando Venezuela, Cuba e Nicarágua.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, confirmou a disposição de Bolsonaro de autorizar uma base dos EUA em comentários a repórteres em Lima na sexta-feira durante uma reunião do Grupo Lima de 13 países que monitora a crise política e econômica da Venezuela.

Araújo disse que Bolsonaro discutirá a oferta de base com Trump durante uma esperada visita a Washington em março, informou o jornal O Estado de S. Paulo.

O Grupo Lima de nações latino-americanas e o Canadá disseram na sexta-feira que as eleições do ano passado na Venezuela não são democráticas e não reconhecem a legitimidade do novo mandato do presidente Nicolas Maduro a partir de 10 de janeiro.

Bolsonaro disse na entrevista à televisão que está preocupado com a proximidade da Rússia com Maduro, o mais importante inimigo dos EUA na América Latina.

Uma visita à Venezuela por dois bombardeiros estratégicos russos com capacidade nuclear em dezembro enfureceu o governo dos EUA.

Fonte: Reuters

Anúncios

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *