Jair Bolsonaro “parece querer” apagar conquistas progressistas do passado do Brasil, alertam ONG’s

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, saúda quando chega a uma reunião na Secretaria de Segurança e Coordenação do Gabinete Presidencial em Brasília na quinta-feira. | REUTERS

O novo governo do presidente de extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro, estreou em seu primeiro dia de trabalho na quinta-feira, apressando as mudanças para colocar uma marca conservadora no país, destruindo as realizações progressistas de administrações passadas.

A rápida reformulação da política brasileira falava no desejo de Bolsonaro de reformar a maior economia da América Latina, enquanto em sua fase inicial de lua-de-mel, antes que surgissem fraturas em seu gabinete atípico ou em suas alianças legislativas.

Também ecoou as mudanças que o presidente Donald Trump trouxe para a política dos EUA. Bolsonaro, às vezes chamado de “o trunfo dos trópicos”, é um admirador declarado do líder americano e quer que o Brasil e a América formem um eixo através do hemisfério ocidental.

As medidas aprovadas até agora foram por decreto temporário, aguardando aprovação do novo Congresso que iniciará sua nova sessão no próximo mês.

Entre elas, destacam-se a agência de assuntos indígenas FUNAI do poder de definir terras nativas.

Bolsonaro twittou que menos de um milhão de pessoas da população brasileira de 210 milhões viviam em territórios separados para comunidades indígenas e descendentes de escravos. “Juntos, vamos integrar esses cidadãos”, disse ele.

Ele também removeu as questões LGBT do mandato do ministério de direitos humanos.

Uma advogada ativa na comunidade LGBT, Juliana Maggi, disse à AFP que a medida foi “uma afronta”, embora tenha acrescentado que seriam necessárias mudanças constitucionais para derrubar os direitos dos homossexuais a parcerias reconhecidas e à família.

Bolsonaro também incumbiu a secretaria do governo de monitorar organizações internacionais e não-governamentais no Brasil.

A Human Rights Watch expressou preocupação, dizendo que mostrava uma incompreensão do “papel independente que essas entidades desempenham em uma sociedade aberta e democrática”.

Bolsonaro também está removendo a pesca da responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente.

Outras áreas que Bolsonaro disse querer resolver é remover o “lixo marxista” dos currículos educacionais e colocar o Brasil em rota de colisão na América Latina com os regimes esquerdistas da Venezuela, Cuba e Nicarágua.

Em termos de economia, que ainda é frágil depois de sair de uma recessão recorde, há dois anos, Bolsonaro entregou grande parte do controle a seu ministro da Economia, Paulo Guedes, um defensor do mercado livre treinado pelos EUA.

Na quarta-feira, Guedes reafirmou sua determinação em cortar os gastos públicos e a dívida do Brasil, com a reforma do sistema previdenciário insustentável como prioridade.

Bolsonaro disse na quinta-feira que espera permitir que o setor privado de linhas ferroviárias, aeroportos e portos “rapidamente” traga cerca de US$ 1,8 bilhão em investimentos e impulsione a infraestrutura.

Um economista, Victor Cândido, da Guide Investments, em São Paulo, disse à AFP que a ebulição inicial do mercado reflete as esperanças de que Bolsonaro e Guedes iriam simplificar a burocracia e aumentar a produtividade.

“O mercado sente não só que haverá muitas privatizações, mas também que o clima como um todo será melhor, que o clima será positivo para todas as empresas em geral”, disse ele.

Mas Candido advertiu que o otimismo só será válido se o Congresso confirmar as medidas de Bolsonaro, mas até agora “esse governo tem o ímpeto”.

Fonte: Japan Times

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Leandro Ferreira | Connection Japan ®

Webmaster, programador, desenvolvedor e editor de artigos.

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