Steinmeier condena a relativização do nazismo

De acordo com o presidente alemão, “minimizar e relativizar os” crimes é “um insulto”. No sábado, o líder do partido populista AfD disse que o nazismo não passa de uma “cocô de pássaro” na longa história do país.

O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, condenou neste domingo (03/06) qualquer relativização do nazismo. Foi uma resposta às declarações do líder do aprtido Alternativa para a Alemanha (AfD), Alexander Gauland, que afirmou no sábado que o regime de Adolf Hitler não passa de uma “cocô de pássaro”, no contexto da longa história do país”.Negar, minimizar ou relativizar essa ruptura sem precedentes com a civilização não é apenas um insulto a milhões de vítimas, mas busca, conscientemente, feridas e semear de novo o ódio”, disse Steinmeier durante um ato em memória dos homossexuais vítimas do nazismo.

As declarações de Gauland, proferidas durante o congresso da juventude do partido populista de direita AfD, foi amplamente condenada por vários políticos ao longo do fim-de-semana.”Hitler e os nacional-socialistas não foram mais que um cocô de pássaro em mil anos de história alemã de sucesso”, disse ele na ocasião, o político, que também é líder da bancada do AfD no Bundestag (Parlamento alemão).Bounce”Reconhecemos a nossa responsabilidade por esses 12 anos”, disse, em referência à duração da ditadura nazista, “mas nós temos uma história gloriosa, e ela, meus amigos, é muito mais longa do que esses malditos 12 anos”.

As críticas vieram dos partidos da aliança de governo, como a União Democrata-Cristã (CDU) da chanceler federal Angela Merkel, e o Partido Social-Democrata (SPD), e de legendas da oposição.”Cinqüenta milhões de mortos, o Holocausto e a guerra total é para o AfD de Gauland apenas um cocô de pássaro”, criticou Annegret Kramp-Karrenbauer, secretária-geral da (CDU).”Pessoas como esta não deveriam estar no parlamento”, disse o vice-presidente do SPD, Ralf Stegner.

Já o deputado do Partido Liberal Democrático (FDP, na sigla em alemão) Quadro Bushmann disse à cadeia de imprensa do grupo Funke que “qualquer político que deliberadamente tenta minimizar a ditadura nazista e o Holocausto dá uma indicação sobre o sinistro é a sua visão para a Alemanha”.PolêmicasEsta não foi a primeira vez que Gauland, um político de 77 anos, que já foi membro da CDU e que passou para a AfD, fez comentários polêmicos, que causaram indignação no meio político.

Em setembro, durante a campanha eleitoral, disse que os alemães deveriam ter o orgulho dos soldados que lutaram nas duas guerras mundiais.”Se os franceses, e com razão, têm o orgulho de seus imperadores, e os britânicos, do (almirante) Nelson e Churchill, então temos o direito de estar orgulhosos do desempenho de nossos soldados nas duas guerras mundiais”, disse.Em 2016, o que também provocou indignação ao atacar o zagueiro da seleção alemã, Jérôme Boateng, que é de origem africana. Ele declarou que “as pessoas pensam que um bom jogador de futebol, mas não querem um Boateng como vizinho”.

JPS/efe/ots

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