Eleições 2018



Por: Alan Nunes Bica

O primeiro debate eleitoral, com os candidatos à presidência da república, que aconteceu na quinta-feira (9/08), na Rede Bandeirantes, apresentou pela primeira vez os postulantes a ocupar a cadeira de maior importância política do país. Estiveram presentes no debate os candidatos Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Cabo Daciolo (Patriota), Jair Bolsonaro (PSL), Guilherme Boulos (PSOL), Alvaro Dias (Podemos), Henrique Meireles (MDB) e Ciro Gomes (PDT). Luiz Inácio Lula da Silva (PT), (preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba), ou mesmo Fernando Haddad, (pretensamente seu candidato à vice-presidente, mas, já indicado como Plano B, no impedimento de Lula), foram ausências importantes.

O debate, com mais três horas de duração, foi marcado por poucos embates diretos. Os candidatos que normalmente são taxados como de “pavio curto”, casos de Jair Bolsonaro e Ciro Gomes, se mostraram mais comedidos em suas declarações. Essa nova postura de ambos poderia ser definida como uma tentativa de demonstrar que não são marcados pelo descontrole e podem sim ser chefes do executivo brasileiro.

Jair Bolsonaro apresentou as já conhecidas frases de efeito sobre segurança pública, direitos humanos, educação, respondendo aqui ou acolá, de forma bastante superficial, perguntas mais diretas, como a do candidato Guilherme Boulos que, bem ao início do debate se refere à Bolsonaro como, “racista, homofóbico e machista”, quando perguntou ao mesmo sobre a funcionária fantasma, “A Val de Bolsonaro”, denunciada pela Folha de São Paulo. Ou mesmo a de Ciro Gomes que, em um momento, pergunta como ele retiraria 63 milhões de pessoas endividadas, do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Incapaz de responder, ele devolve a pergunta ao mesmo, sendo prontamente respondida pelo candidato do PDT.

Ciro Gomes, aliás, se referiu várias vezes a questão das divididas dos brasileiros com SPC. Prometeu que ajudaria essas pessoas a acabar com elas, convidando eles, em vários momentos, a verificarem seu programa de governo e saberem como faria isso. Criticou a situação atual do país, propondo novas reformas trabalhistas e da previdência. Propôs alterações nas legislações de ambas, mas que protegessem os trabalhadores e não deixassem os mesmos na situação de penúria, que as atuais reformas colocaram.

Os candidatos que, querendo ou não, representam o governo Temer, Henrique Meireles e Geraldo Alckmin buscaram, de uma forma ou de outra, se desvincular do Palácio do Planalto. Meireles, várias vezes, lembrou sua participação nos dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva, como ministro da fazenda, tentando demonstrar como tinha contribuído para o desenvolvimento do país. Alckmin se apegava as melhorias que promoveu enquanto governador do estado de São Paulo. No entanto, em vários momentos, acabaram por ser questionados sobre questões específicas do governo atual e tiveram que apresentar posição, tímida é claro, favorável as medidas implementadas, como as reformas trabalhista e da previdência. Sobre elas, quando perguntado por Ciro sobre a reforma trabalhista, Alckmin afirmou que ela foi “necessária” para o desenvolvimento do país.

A candidata Marina Silva se mostrou bastante superficial em suas declarações, demonstrando posições, no mínimo, pouco aprofundadas em alguns momentos do debate. Quando questionada, por exemplo, por uma jornalista sobre a questão do Aborto, colocou que se devem dar condições para que as mulheres não precisem se usar deste artifício e, ao mesmo tempo, acreditou que a legislação atual deveria ser mantida. Outro questionado sobre o assunto, Guilherme Boulos, se mostrou mais articulado e propositivo sobre o assunto, defendendo a legalização da prática, não como forma de justificar o ato, mas tendo em vista, diminuir o número de mulheres que morrem ou sofrem complicações por abortos feitos de forma ilegal.

O candidato do PSOL demonstrou desde o início do debate, que estava disposto a botar o dedo na ferida de muitos candidatos. Além da já citada colocação em relação a Bolsonaro, taxou outros candidatos como a continuidade do que já está posto, em suas palavras “Os cinquenta tons de Temer”, defendeu o fim dos privilégios aos mais ricos e para determinadas categorias políticas de dentro do estado, provocou novamente Bolsonaro, sobre sua participação no atentado a bomba de 1986, quando ele ainda era capitão do exército e, terminou citando novamente os candidatos que seriam os “cinquenta tons de temer”, e que viria para ajudar a transformar o Brasil e retirar o povo brasileiro da situação em que se encontrava.

Por fim os candidatos Álvaro Dias e Cabo Daciolo, candidatos dos nanicos partidos Podemos e Patriota, reverberaram em seus discursos suas indignações perante a corrupção instaurada no país buscando deixar claro de uma forma ou de outra, que se eleitos, lutariam com unhas e dentes contra ela e “os engravatados”, nas palavras do Cabo Daciolo. Este, inclusive, marcou sua presença no embate com seu tom de voz exaltado e certa excentricidade, como no momento em que questiona Ciro Gomes sobre o Foro de São Paulo e a URSAL, o perigo do comunismo e do socialismo, fatos que o elevaram ao grande centro dos memes feitos nos últimos dias, nas redes sociais.

Finalizando, podemos dizer que é difícil definir um vencedor neste debate. Tanto por que a recém às candidaturas estão se estabelecendo e se lançando a corrida, depois de intensas semanas de conversas e formação de coligações. Mas, ele dá um indicativo do que veremos nos próximos meses até as eleições. Os próximos embates tendem a ser mais diretos e duros, onde os candidatos deixaram de lado o estudo e a análise dos candidatos e ai partirão para os contra ataques diretos. Esperemos para ver como as coisas vão se desenrolar.

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Leandro Ferreira | レアンドロ・フェレイラ

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