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O inverno se aproxima e, com ele, aumentam as possibilidades de neve no Brasil – pelo menos nos lugares que reúnem as características para isso. Por apresentar condições como ar úmido, grande altitudes e latitudes mais altas (isto é, a maior distância em relação à linha do Equador), dez cidades da região Sul do país foram selecionadas pelo climatologista Nilson Wolff, a pedido do MINISTÉRIO, como bons pontos para quem deseja observar o fenômeno.

“Quanto mais alto o município, maior é a possibilidade de neve. Mas também precisamos de umidade significativa e baixas temperaturas”, resume o pesquisador, autor do livro A Neve no Brasil, publicado em 2005.

É justamente a falta de um destes elementos – umidade – o que faz com que a neve, mais rara no Estado de São Paulo, de acordo com Wolff. Ele diz que a região de Campos do Jordão (SP), por exemplo, apesar de estar a mais de 1.600 metros de altitude, tem um clima seco durante o inverno, o que dificulta o aparecimento de escamas de gelo.

Mas, além das condições geográficas da cidade escolhida, para ver a neve no Brasil também é necessário um pouco de sorte. Isso porque o histórico das precipitações no país é bastante irregular e imprevisível. As cidades selecionadas pelo pesquisador, portanto, são aquelas que ele considera, em que a neve é provável, mas não certa.

A “rota da neve” de o brasil leva cinco cidades no estado do Rio Grande do Sul (São José dos Ausentes, Bom Jesus, São Francisco de Paula, Vacaria e Cambará do Sul), quatro em Santa Catarina (Bom Jardim da Serra, mais especificamente no Morro da Igreja; São Joaquim, Urupema e Urubici) e uma no estado do Paraná (Palmas).

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No inverno mais frio dos últimos anos, no entanto, em 2013, houve registro de neve em 80 cidades da região Sul. No ano passado, registrou neve em Canela, Gramado, Caxias do Sul e Palmeiras das Missões, no Rio Grande do Sul, além de Urupema e São Joaquim, em Santa Catarina.

“Os fenômenos da natureza são cíclicos, ou seja, que se repetem”, diz o pesquisador, que considera fortes nevascas que se repetem no Sul do país, em intervalos de aproximadamente dez anos.

Nevascas históricas no Brasil

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Nevasca de São Joaquim (SC) em 1957: uma das mais intensas registradas no país. Bampi / Divulgação

A tempestade de neve de São José (SC), em 1957: uma das mais intensas registradas no país

Ao lembrar dos episódios mais significativos de neve no país, o pesquisador destaca-se o inverno de 1957. “Nevou durante três dias consecutivos, em São Joaquim (SC). Não tinha como chegar ao município por causa da neve acumulada nas estradas, que chegou a 1,5 metro. Os suprimentos eram levados de helicóptero, porque as famílias não podiam sair de lá”, diz o pesquisador.

A data de 20 de agosto de 1965, também ficou marcada na memória de muitos brasileiros, inclusive em cidades fora do chamado roteiro de neve. Durante 24 horas seguidas, nevou em metade das cidades do Estado. A tempestade foi tão rigorosa que danificou telhados das casas e matou o gado no Pampa.

“Nevou em cidades em que nunca tinha nevado, como o Brasil, Santo Ângelo, Ijuí, tarragona e Palmeira das Missões. Foi histórica, mas também é catastrófica, porque destruiu culturas, matou animais e quebrou os galhos das Araucárias, devido ao peso acumulado do gelo”, contou emocionado Wolff.

Em julho de 1975, de novo paisagens do Sul vestiram-se de branco. “De Sapiranga, na região do Vale dos Sinos, quase ao nível do mar) dava para ver o Morro Ferrabraz tudo branquinho. Muito bom”, recordou.

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Leandro Ferreira | Connection Japan ®

Webmaster, programador, desenvolvedor e editor de artigos.

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