Com 20 anos de carreira, Balby quer fazer história no MMA e parte mais uma vez para o octógono na China ( Cortesia : Arquivo pessoal Adriano Balby ).

Entrevista com Adriano “The Rock” Balby : de Manaus para o mundo

Com 20 anos de carreira, Balby quer fazer história no MMA e parte mais uma vez para o octógono na China ( Cortesia : Arquivo pessoal Adriano Balby ).

Nascido no estado do Rio Grande do Norte, mas Amazonense de coração, o lutador Adriano Silvério Balby de Araújo, que é mais conhecido no mundo do MMA como Adriano “The Rock ” Balby, vivenciou todas as fases e transformações do esporte, desde a época que a modalidade ainda era conhecida como Vale Tudo.

Além de acumular lutas com ídolos de épocas distintas, ele também soma ao seu currículo a façanha de já ter lutado em 5 ( cinco ) categorias de pesos diferentes : 120, 110, 93, 84 e 77 Kgs.

Radicado em Manaus há 16 anos, o faixa preta de Jiu-Jitsu, faixa marrom de Luta Livre Esportiva e prajied preto de Muay Thai também mantêm filiais de sua academia em Campinas, Espirito Santo, Goiânia e até mesmo no Paquistão.

O atleta está em franca ascensão e no caminho certo para um sucesso cada vez maior.

Faltando pouco mais de um mês para uma das lutas mais importantes da sua vida quando irá enfrentar o ex-UFC e ex-Pride Akihiro Gono, entrevistamos Balby que nos falou sobre a sua preparação, além de outros assuntos curiosos.

A luta, que será realizada dia 29 de Abril terá lugar no Rebel Fighting Championship, uma das franquias de MMA mais conhecidas da China, e contará com transmissão ´AO VIVO ´ para China e Brasil.



Confira :

1)Conte-nos como foi o inicio da sua prática nas artes marciais ?

Adriano Balby : Eu era um garoto gordinho, vivia apanhando na rua, então minha mãe decidiu me levar a uma academia onde comecei treinando TaeKwonDo e depois Karatê. Não deu certo, pois tinha que fazer muito exercício ( risos ).
Foi então que, por acaso, eu resolvi assistir uma fita do Royce Gracie, onde me encantei com o Jiu-Jitsu e comecei a treinar as técnicas que vi nessa fita em casa, aprendi posições básicas como arm-lock, 100 kg, montada, triângulo, americana, etc …
Emprestei um kimono e fui nas academias testar, eu não tinha muita técnica, só aquilo mesmo que assisti na fita, mas em compensação tinha muita força, gás e muita raça, prevalecia contra outros atletas na brutalidade.
Até que realmente entrei em uma academia de Jiu Jitsu em Porto Velho, capital do estado de Rondônia.

2) Fale-nos sobre a sua estreia no MMA ainda em 1998 e o porque de sua opção por esta modalidade ?

Adriano Balby : O Vale-Tudo estava em alta e eu sempre gostei de luta, mas era mole, medroso,eu não gostava de trocar porrada, tinha medo.Só que apesar disso, eu queria ser igual aqueles caras, os lutadores.

Mas como no bairro que eu morava apanhava muito, tinha no meu bairro as galeras e eles sempre me agrediram, me davam um cascudo, etc … comecei a adotar uma postura de lutador quando comecei a treinar Jiu-Jitsu.

Eu não era tão bom no Jiu-Jitsu mas já estava aprendendo, na minha cidade sempre tinha eventos de MMA, na época ainda realizados sob o formato do Vale Tudo e eu fui lá e me inscrevi por conta própria.

Como não tinha equipe de MMA, inventei um nome de uma equipe, e me inscrevi no evento chamado Street Fighter, eram três lutas na noite para ser campeão nesse evento.

Na minha primeira luta levei um golpe e quebrei o nariz. Ainda com o nariz quebrado fui para cima do adversário e nocauteei ele. Ao descer do cage , uma galera que já lutava MMA me chamou para participar da equipe deles, pois gostaram da minha atuação. Foi assim que eu comecei a treinar na academia Dragon.

Foi aí que eu comecei realmente em uma equipe, não muito profissional , pois treinávamos, mas gostávamos de sair no final de semana pra curtir e principalmente brigar. Queríamos ser os donos da festa. Assim lutei O Gladiador e ganhei do Wellington Zarolho e perdi para o Iran Mascarenhas. Na época eu era faixa azul de jiu-jitsu e o Irã preta. Fizemos a final e pedi para ele. Eles sempre vinham de Manaus e ganhavam em Porto Velho. Foi então que eu comecei a me interessar a vir para Manaus para ficar melhor e aprender o Jiu-Jitsu deles.

3) Percebemos que essa sua primeira luta não está listada no Sherdog. Há alguma outra luta sua que não está listada naquele site ? Quantas lutas de MMA você já fez ao todo ?

Adriano Balby : Essas lutas dessa época não existia ainda o Sherdog. É difícil encontrar matérias da época, as filmagens são muito ruins , era fita de vídeo VHS, até hoje quero essa fita ( risos ) da luta em Porto Velho, Rondônia. Então fui para Rio Branco ( capital do estado do Acre ), Ji-Paraná ( um município do estado de Rondônia ) e os interiores de Porto Velho.

Creio que somando todas eu já fiz umas 21 lutas de MMA.

4) Na época o esporte ainda era chamado de Vale Tudo e sofria com o preconceito da sociedade. Como foi a reação dos seus amigos e familiares ao saberem de sua opção pela luta ?

Adriano Balby : Minha mãe não apoiava. Quando eu saía para lutar ela nem falava comigo. Os amigos se empolgavam , davam apoio, mas na minha família todo mundo dizia para não lutar. Minha mãe chegou a dizer que não seria mais minha mãe se eu fosse lutar. Eu disse para ela : a senhora é minha mãe e eu vou lutar ( risos ).

5) Em que cidades e estados da região norte do Brasil você lutou nesse período ?

Adriano Balby : As lutas eram sempre em Porto Velho, mas também no interior, principalmente Acre e Ji-Paraná.

6) Qual foi a sua luta mais importante até hoje ?

Adriano balby : Umas das lutas mais importantes foi contra Cristiano Ribeiro, na época campeão brasileiro e mundial de Jiu-Jitsu, ele era faixa preta e eu era faixa azul.

Eu já estava em Manaus, treinando com Sensei Fábio Anibal, onde nocauteei Cristiano e fiquei muito falado, pois as pessoas não entendiam como podia um faixa azul recém-chegado nocautear um Manauara, casca grossa, faixa preta e campeão mundial de Jiu-Jitsu.

7) E o adversário mais difícil, aquele que te marcou, a luta mais casca grossa ?

Adriano Balby : Para mim, a luta mais importante foi voltar a fazer um Kumitê, agora em 2017 vencendo o americano e o chinês depois de 19 anos que não lutava mais Kumitê.

Exatamente por isso que eu aceitei lutar em uma categoria que nunca havia lutado antes, a de77 kg e um Kumitê que havia lutado há muitos anos atrás para mim foi um grande desafio e eu gosto de desafios.

( Nota .: Kumitê é o termo usado no estado do Amazonas para designar as competições onde o atleta tem de fazer mais de uma luta na mesma noite. A adesão do termo também se deu por influência do filme : Bloodsport, conhecido no Brasil como o grande dragão branco e estrelado por Jean Claude Van Damme ).

8) Desde a sua estreia no esporte você já lutou em 5 ( cinco ) categorias de pesos diferentes : 120, 110, 93, 84 e 77 Kgs. Qual é o seu segredo ?

Adriano Balby : Quando eu comecei a lutar foi com 80 kgs e ficava nesse peso 80, 85 Kgs. Já em Manaus lutei de 100 kgs contra o Hulk, mas depois de algum tempo parei de treinar e me envolvi com drogas e fui morar nas ruas. Aí eu fui para 130 kgs. Nesse período de dois anos fiquei parado sem fazer nada.

O segredo para você pesar 130 kgs e baixar para lutar de 77 é querer e ter sonhos. É se desafiar. Se cobrar, é sempre colocar uma meta nova para você alcançar, para que você possa escrever uma nova história e deixar ela gravada, se você vence a si mesmo, você vence tudo.

9) Sua luta mais recente foi na categoria 77 Kgs e parece-nos que você planeja lutar também na categoria 70 Ks. Como é feito atualmente o seu treinamento e a sua alimentação com esse objetivo ?

Adriano Balby : Eu tenho acompanhamento médico, mas a minha dieta e a minha alimentação sou eu mesmo que faço, gosto muito de ler e estudar somente aprender o que é bom para mim. Hoje tem tudo na internet mas, infelizmente, muitos não se interessam ou gostam de esperar pelos outros.

De tanto fazer dietas e planos alimentares já conheço muito sobre alimentação.

Essa que faço agora, eu mesmo preparei e em menos de um mês já perdi 10 quilos de gordura e estou com muita massa magra, muito gás, bem-disposto e forte. Sempre digo que a alimentação é nosso combustível, tem que ser bom para funcionar.

Eu quero descer para a sexta categoria de peso, assim como na categoria de 77 diziam ser impossível, essa palavra me motiva e eu quero descer para 70 kgs.

Claro, vou fazer um trabalho com um nutrólogo, pois tenho a ossatura muito pesada e vou lutar agora dia 29 de Abril na 77 kgs. Já estou fazendo um trabalho bem adiantado para bater 77 e subir no máximo para 83. Planejo manter esse peso e depois focar para que em Agosto ou Setembro eu possa baixar para 70 kgs.

Eu divido meus treinos da seguinte forma : pela manhã eu faço treino aeróbico bem puxado, estilo Hit. Gosto muito de fazer escada na maior velocidade e meço meus batimentos cardíacos. Quando eles passam para uns 160 ou 170 eu paro, espero baixar alguns segundos e logo explodo de novo , faço isso durante 20 minutos.

Na parte da tarde eu treino MMA. Faço treinos programados, táticos e técnicos e o nosso ´sparring´ que é o melhor.

À noite faço Jiu-Jitsu.

10) Você também é obreiro da Igreja Universal do Reino de Deus ( IURD ) já fazem 10 anos. Conta pra gente sobre a sua vida religiosa e da importância de Deus e Jesus Cristo na sua vida ?

Adriano Balby : Eu cheguei na igreja quando mais ninguém acreditava em mim e todos haviam me abandonado, família e amigos, devido às drogas e fiquei morando nas ruas algum tempo.

Foi assim que eu cheguei, cheguei como muitos chegam, olhando para os maus testemunhos e estes existem em todo lugar.

Eu cheguei com um julgamento que eu ouvi falar, pois não conhecia, mas foi o único lugar que me recebeu como eu estava e cuidou de mim.

Aos poucos fui conhecendo mais e mais sobre Jesus, morei quase oito meses dentro da igreja e comecei a ter outra visão de tudo que eu imaginava.

Vi que realmente existe a Deus e pessoas de Deus naquele lugar. Fui ensinado dentro da palavra sempre aprendendo a focar em Jesus e em mais ninguém.

Os homens são falhos, mas Deus não, foi isso que eu fiz, só olhei para Deus e me libertei das drogas, da prostituição, das doenças e o vazio que eu sentia na tristeza e vontade de morrer sumiram e comecei a ter uma alegria renovada.

À princípio não entendia, mas depois eu entendi e então Deus curou minha filha, trouxe minha esposa de volta e poucos foi mudando tudo devido a minha entrega, obediência e fidelidade na palavra de Deus, não em homens. Deus foi fazendo maravilhas.

Eu sempre digo que o Senhor Jesus é o mais importante da minha vida e mostro isso no dia a dia, na prática da sua palavra e na obediência, além de ter uma grande gratidão, eu tenho um grande temor que é respeito à Deus, pois vi ele agir na minha vida e cada um tem sua experiência própria com Deus, sempre digo, e é fato, que nada para mim presta nesse mundo podre sem Jesus. Ele é o meu maior tesouro, depois a minha família, aí vem o resto.

Eu não queria mais lutar, eu queria me libertar, parar de sofrer, meu interior era vazio. Assim eu conheci a igreja e comecei a focar. Não mais na luta física, mas na luta espiritual.

Fiquei dois anos sem treinar e foi nessa época que me libertei e conheci Jesus Cristo. Fui transformado.

Antes eu era sempre convidado para lutar, mas para mim não podia, eu achava que era pecado e durante dois anos nunca perguntei ao pastor se podia.

Em um belo dia fiz essa pergunta ao pastor, questionando-o se lutar é um pecado e se eu poderia lutar.

Ele me disse que lutar não é pecado, é um esporte , pecado seria você usar sua arte marcial contra alguém indefeso, mas lá em cima são dois profissionais.

Daí em diante comecei a ter o desejo de voltar a fazer o que amava e voltei aa treinar Jiu-Jitsu.

Então fui chamado para lutar contra Francimar Bodão, que está no UFC e tínhamos apenas um mês, fechamos para a categoria 110 Kgs, eu aceitei e baixei 20 kgs em um mês.

Perdi a luta mas quis continuar e aumentei novamente de peso, só havia baixado para pesagem e fiquei lutando entre 115 e 110 Kgs. Lutei com Joel Tigre, lutei com Tanque e venci os dois.

Eu sempre treinava Jiu-Jitsu, mas o meu Sensei parou de dar aula de MMA e disse que eu procurasse um lugar para treinar. Foi aí que fui convidado para treinar com Adriano Martins e ali começou uma nova história, algo realmente profissional.

11) Enfrentou obstáculos dentro da igreja por ser lutador ?

Adriano Balby : Na Igreja Universal eu nunca enfrentei obstáculos nessa área e admiro a inteligência e a fé inteligente que é pregado na Igreja Universal. Muitas igrejas dizem que é pecado lutar( risos ). Mas onde está escrito?

Sempre fui apoiado a ser o melhor, seja qual for a área que eu escolher. Aqui na Universal nunca houve uma palavra de derrota, sempre me animando e me levantando obviamente.

Claro, hoje sigo a palavra de Deus e Deus não derruba ninguém, ele levanta.

A Bíblia diz que se o coração não me acusar, tenho confiança diante de Deus e o meu coração nunca me acusou em treinar e lutar pois é uma profissão.

12) Qual a sua expectativa sobre a sua próxima luta com o lendário Akihiro Gono no próximo dia 27 de Abril no REBEL FC 7, evento que será realizado na China ? Não custa lembrar que Akihiro Gono já lutou por organizações como UFC, Pride, Pancrase, Shooto, Deep, etc … e esse confronto vai alavancar ainda mais a sua carreira.

Adriano Balby : Eu fiquei muito feliz quando soube que iria lutar contra esse adversário, que é uma lenda do MMA.

Eu estou pronto para vencer e estou na minha melhor forma, até melhor do que a luta anterior, quando fiz duas lutas em uma noite nesse mesmo evento ( REBEL FC ).

Não subestimo ele, mas pelo jogo dele que é mais chão, deu nocaute, creio que vou ser o campeão.

Trazendo para o lado espiritual, quem vai comigo é o próprio Deus, então não tem como eu perder.

13) Para finalizar, deixe uma mensagem para os nossos leitores ou ainda se você desejar agradecer à alguém, sejam estes seus mestres, parceiros de treinos, patrocinadores, familiares, amigos e fãs. Enfim, este espaço é seu.

Adriano Balby : A mensagem que eu deixo para os nossos leitores é :

Tudo na vida depende da gente. A vitória ou a derrota é culpa nossa. A história da nossa vida quem escreve somos nós, no nosso dia-a-dia, com atitudes, teremos um derrotado ou um campeão.

Sempre digo : nunca desista dos seus sonhos, pois eles vão chegar, se você perseverar, for determinado, tiver um alvo, e principalmente, se cobrar à cada dia e ser melhor e sempre que alcançar uma meta, traçar uma outra, mesmo que pareça impossível.

Use a dúvida de todos como energia para te motivar e nunca aceitar a palavra eu não consigo.

Quero muito sim, agradecer as pessoas que acreditam na gente e fazem um esforço mesmo não tendo muito, mas investem, enquanto empresas grandes e até o próprio estado não acredita.

Primeiro quero agradecer a minha esposa Janete Balby, que sempre está comigo, minha filha Leticia Balby, minha mãe Tereza Balby e minha irmã Andrea Balby.

Meu Sensei Fábio Aníbal, que quando cheguei em Manaus me orientou e me treinou, me preparando para as lutas. Ele foi um grande motivador na minha vida e tem sido até hoje.

Todos os meus alunos da academia BalbyTeam de Manaus, Goiânia, Porto Velho, Espírito Santo e até mesmo do Paquistão, onde também já estamos hoje.

E a cada um que torce por mim.

Sem esquecer, é claro, dos meus amigos e patrocinadores :

📍Hiroshi Homiya

📍Celio e Jessica da Academia Live

📍Beto da Samel

📍Thiago da Imperial Trade de Porto Velho

📍Rogerio do Laparrilla

📍Froes Peixaria

📍Dra Aline Vizioli

📍BodyShape Suplementos

📍Iran da Yuçana Alimentos

📍Magno do Sushi Samurai Negro

📍Ao Amigo Marcelo da RmCamisas

📍Academia Of MMA, minha equipe.

*Fonte / Créditos : colaborador : Oriosvaldo Costa

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Oriosvaldo Costa “Mr. Kung Fu”. O primeiro muçulmano lutador de MMA do Brasil. 7 lutas : 3 vitórias, 3 derrotas, 1 No Contest.

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